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Trading em Commodities III - O CBOT e o clearing

Da Thinkfn

O Chicago Board of Trade por volta da década de 1840. Nos primeiros anos, os agricultores e mercadores traziam amostras dos cereais para a zona de negociação para serem inspeccionados pelos compradores.
(Imagem: www.newsday.com)
O antigo Chicago Board of Trade, construído entre 1882 e 1885, aqui representado num postal de 1909. Foi demolido em 1927, dando lugar ao actual.
(Imagem www.patsabin.com)

Apenas para localizar no tempo o que estou a descrever:

Chicago foi fundada em 1833 com 350 habitantes. Em 1840 já tinha 4.000. Em 1848 foi inaugurado o canal Illinois e Michigan, permitindo a ligação dos Grandes Lagos, por Chicago, ao rio Mississipi e Golfo do México. O primeiro caminho de ferro para Chicago, o Galena & Chicago Union Railroad, foi completado nesse mesmo ano. Transformou-se no primeiro grande Hub americano: transporte por água (o mais barato), por estrada e por caminho-de-ferro.

Ficámos com os nossos agricultores a vender barcaças (contratos) de 5.000 baldes a moageiros – e ambos a entregar uma importância (margem) a um taberneiro (clearing) que verificava o bom cumprimento do acordado.

Mas se houvesse um temporal que afundasse barcaças ou outra catástrofe, o preço do trigo subia e podia chegar ao ponto que o agricultor preferia perder a margem e vender mais caro a outro moageiro. Inversamente, se chegasse a notícia que vinham mais caravanas e barcaças a caminho, o preço caía e então era o moageiro que preferia perder a margem.

Estas situações originavam muita confusão, tiros etc, e os taberneiros, ferradores e barbeiros (provavelmente já com o banqueiro local no negócio) sentiram a necessidade de se juntarem e regulamentar estas transacções.

Também não era prático que os negócios fossem feitos em diversos locais, pois dificultava a formação de preços uniformes.

Surgiu assim um novo local para as transacções, o Chicago Board of Trade com o seus Clearing Services (1848) que estabeleceu regras para as margens: caso o preço subisse mais que uma percentagem do depósito de garantia, pedia um reforço (margin call) ao agricultor e se este não o entregasse no prazo estabelecido vendia os contratos à melhor oferta. Inversamente para o moageiro, se o preço caísse.

Como as oscilações de preço do milho tinham um efeito, em percentagem, muito maior nos contratos (alavancagem), os jogadores de poker que assistiam às conversas dos que tinham fechado negócios no CBOT, e acompanhavam os preços, cedo viram que tinham aqui um outro “jogo” onde apostar.

Como a Clearing House não pedia prova ao agricultor que tinha aquele trigo que estava a vender nem ao moageiro, ou seu enviado, que tinha uma moagem, começaram a vender e a comprar contratos de milho, apenas pagando a margem – sem a menor intenção de entregar ou comprar milho.

Surgiram os especuladores, que hoje em dia são muitíssimos mais do que os traders, detêm em qualquer momento, a esmagadora maioria dos contratos abertos (open interest).

Links para quem queira saber um pouco mais:

Contratos de trigo: http://www.unitedfutures.com/grains-wheat.htm

Chicago Board of Trade: http://www.cbot.com/cbot/pub/page/0,3181,942,00.html

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Autor

Fogueiro, em 26/9/2007

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