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Warren Buffett

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Warren Edward Buffett
Warren Edward Buffett
Warren Buffett, em conferência com estudantes da Universidade do Kansas, Maio de 2005
Nascimento 30 de Agosto de 1930
Omaha, Nebraska
Nacionalidade EUA Flag of the United States.png
Ocupação Presidente da Berkshire Hathaway
Fortuna Green Arrow Up Darker.png 62 mil milhões de USD (2008)[1]

Warren Edward Buffett (nascido a 30 de Agosto de 1930, Omaha, Nebraska, EUA), frequentemente apelidado "o sábio de Omaha",[2] o "feiticeiro de Omaha",[3] ou "o oráculo de Omaha",[4] é um investidor, homem de negócios e filantropo americano.

Buffett amealhou uma enorme fortuna investindo astutamente através da holding Berkshire Hathaway (NYSE:BRK-A,B) da qual é o presidente e maior accionista. No período de 44 anos entre 1965 e 2008, o valor contabilístico da Berkshire Hathaway cresceu a uma taxa anual composta líquida de 20,3%. No mesmo período, o S&P 500 cresceu a uma taxa anual composta bruta de 8,9%.[5]

Com uma fortuna pessoal avaliada em cerca de 62 mil milhões de USD foi classificado pela revista Forbes, em Março de 2008, como a pessoa mais rica do mundo, seguido pelo mexicano Carlos Slim e por Bill Gates.[1] Na lista da Forbes dos 400 norte-americanos mais ricos, Warren Buffett é o único que investiu apenas no mercado de acções.[6]

Apesar da imensa fortuna, Buffett é conhecido pelo seu estilo de vida despretencioso e frugal. Continua a viver na mesma casa que comprou em 1958 por 31.500 USD, em Dundee nos arredores de Omaha, Nebraska (embora possua outra na Califórnia). Quando usou 9,7 milhões de USD dos fundos da Berkshire na aquisição de um jet corporativo, em 1989, colocou-lhe o nome The Indefensible (O Indefensável) devido às suas críticas no passado a aquisições semelhantes feitas por outros presidentes executivos.[7] [8]

Casa de Warren Buffett, comprada em 1958 por $31500 e onde ainda hoje vive.

A sua remuneração anual de 2006, 215.000 USD, é diminuta pelos padrões de remuneração dos executivos séniores em empresas equiparáveis. Como termo comparativo, em 2003 os presidentes executivos das empresas constituintes do S&P 500 auferiram remunerações anuais médias de 9 milhões de USD. [9] [10]

Em Junho de 2006, comprometeu-se a doar a sua fortuna a instituições de caridade, sendo a principal parcela, no valor de 30,7 mil milhões de USD (cerca de 24,6 mil milhões de EUR na altura) para a Fundação Bill & Melinda Gates, especializada na busca de cura para doenças que afligem o Terceiro Mundo. Esta doacção de Buffet é considerada a maior de sempre na história dos Estados Unidos.[11]

Em 2007, Buffett constava da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, elaborada pela revista Time. [12]

Índice

Os primeiros anos

Educação:
Woodrow Wilson Senior High School, Washington D.C. em 1947
Wharton School da Univ. da Penns., Universidade da Pennsylvania, 1947-1949
Bacharelato em Ciências, Universidade do Nebraska, 1950
Mestrado em Economia, Universidade de Columbia, em 1951.

Ocupação:

1951-1954 Buffett-Falk & Co., Omaha, Nebraska - Investment Salesman
1954-1956 Graham-Newman Corp., New York - Analista do Mercado Financeiro
1956-1969 Buffett Partnership, Ltd., Omaha - General Partner
1970-Presente Berkshire Hathaway Inc, Omaha - Presidente do CA, Director-Geral

Warren Buffet nasceu em Omaha, Nebraska. É filho de Howard Buffet, um corretor e membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, e sua esposa Leila Buffett. Em tenra idade já exibia uma compreensão invulgar de negócios e matemática. Resolvia mentalmente problemas matemáticos complexos.

O seu avô tinha uma mercearia. O jovem Buffett procurava constantemente novas formas de ganhar dinheiro:

O meu avô vendia-me pastilha elástica Wrigley's e eu ia vendê-la porta a porta na vizinhança. Também me vendia um pacote de seis Coca Colas por 25 cêntimos e eu vendia-as pela vizinhança a 5 cêntimos cada, por isso fazia um pequeno lucro. Estava sempre a tentar fazer coisas assim. (Warren Buffett)[13]

Juntamente com um amigo, criou um sistema matemático para prever os vencedores nas corridas de cavalos, e vendiam uma folha de previsões chamada "Stable-Boy Selections" (Selecções do Míudo do Estábulo) até serem fechados por não terem licença. Mais tarde trabalhou na mercearia do avô.[14]

Era conhecido como um rato de biblioteca com enorme sede de conhecimento sobre o mundo dos negócios e o mercado de capitais. Leu os primeiros livros sobre mercados financeiros aos 8 anos.[3] Começou a trabalhar na corretora do pai aos 11 anos, e nesse mesmo ano fez a sua primeira compra de acções:

acções preferenciais da Citi Service[s]. Tinha três acções e ganhei 5 USD com elas. Tinha-a comprado a 38.25 e depois vendi-a por volta dos 40, entretanto caíu para os 27 e depois de vender a 40, subiu para 200! (Warren Buffett)[13]

Em 1943, aos 13 anos, o seu pai foi eleito para o congresso e a família mudou-se para Washington D.C.[3] Buffett tornou-se distribuidor de jornais do jornal The Washington Post e do rival Times-Herald. Quando os clientes cancelavam a assinatura de um dos jornais, ele estava pronto a oferecer o outro em seu lugar. Buffett fazia cinco rotas de distribuição de jornais em linha. Complementou a sua oferta de produtos adicionando revistas. Ainda na escola, ganhava 175 USD por mês, um ordenado a tempo inteiro para muitos jovens.[14]

Aos 14 anos, com 1.200 USD das suas poupanças comprou uma fazenda de 16 hectares no Nebraska que posteriormente alugou a arrendatários. Em conjunto com um amigo, ganhavam 50 USD por semana colocando máquinas de flippers em barbearias. Deram à operação o nome de Wilson Coin Operated Machine Co.[14]

Em 1947, aos 17 anos de idade, tinha poupado 5.000 USD e acabado entre os 20 melhores do seu ano na Wilson High School em Washington D.C. Embora se distinguisse como estudante, Buffett sentia que continuar os estudos seria uma perda de tempo dado o seu sucesso como jovem pequeno-empresário. Já tinha uma fonte de rendimentos nas rotas de distribuição de jornais que fazia, nos resultados da Wilson Coin Op, e na fonte de rendimentos passiva do aluguer da fazenda.

Acabou por seguir o conselho do pai e ingressar nos estudos de pré-graduação na prestigiada Wharton School da Universidade da Pensilvânia durante dois anos, após os quais se transferiu para a Universidade do Nebraska, em Lincoln, para o ano final.[3] Durante este período, arranjou trabalho no Lincoln Journal supervisionando 50 rapazes na distribuição de jornais em seis conselhos rurais.[14]

Foi por esta altura, em 1950, que leu pela primeira vez o livro de Benjamin Graham, The Intelligent Investor (O Investidor Inteligente), acabado de publicar.[3] A propósito desta leitura viria a referir anos depois:

Não sei nada hoje que não soubesse aos 19 anos quando li aquele livro. Nos oito anos anteriores analisava gráficos. Adorava tudo isso. Tinha gráficos a sairem-me pelos ouvidos. Aí, de repente, um tipo explica-me que essas coisas são desnecessárias, bastando só comprar algo por menos do que vale. (Warren Buffett)[15]

Terminada a pré-graduação, tentou ingressar na Harvard Business School mas foi recusado, naquela que terá sido uma das piores decisões de admissão de Harvard. Tendo 19 anos, foi-lhe dito que esperasse mais um ou dois anos.[14] Esta recusa acabou por dar lugar a um dos pontos chave da vida de Buffett. Ele descobriu que Benjamin Graham e David Dodd, dois conhecidos analistas de mercados financeiros, ensinavam na Columbia Business School.[3] Conseguiu ingressar na Universidade de Columbia, e foi aluno de Graham, o pai da análise de mercados que lhe deu as fundações para a sua estratégia de investimento futuro.

Teve como colegas outros futuros value investors da escola de pensamento de Graham e Dodd[16], incluindo Walter Schloss, Irving Kahn e William Ruane[3]. Obteve o mestrado em economia em 1951, recebendo a única nota de A+ (20 valores) que Graham atribuiu a alunos do curso security analysis que leccionava.

Terminados os estudos, Buffett queria ingressar na Graham-Newman. Ofereceu-se para trabalhar sem vencimento, mas foi inicialmente recusado:

O Ben[jamin Graham] fez o seu habitual cálculo entre valor e preço e disse não. (Warren Buffett)[3]

Ao invés, foi trabalhar como vendedor na firma de corretagem do seu pai. Graham finalmente ofereceu-lhe uma posição em 1954, mas dois anos volvidos reformou-se e dissolveu a sociedade. Buffett regressou a Omaha.

As sociedades de investimento

Em 1956, Buffett criou a Buffett Associates, Ltd., a sua primeira sociedade de investimento, com natureza limitada. A sociedade foi financiada com 100 USD de Buffett, o seu director-geral, e 105.000 USD vindos de sete sócios que eram seus familiares e amigos. [17]

Outros sócios procuraram-no. Um deles foi Homer Dodge, um antigo cliente da sociedade de Graham entretanto dissolvida, que percorreu 1.500 milhas até Omaha na esperança de que Buffett gerisse os seus fundos:

Homer disse-me, 'Gostava que gerisses o meu dinheiro'. Eu disse, 'A única coisa que estou a fazer é uma sociedade com a minha família'. Ele disse, 'Bem, gostava de ter uma contigo'. Então criei uma com Homer, a mulher, os filhos e os netos. (Warren Buffett)[18]

A família Dodge investiu 100.000 USD com Buffett. Quando Homer Dodge faleceu em 1983, este montante tinha sido multiplicado para as dezenas de milhões.[18]

Os lucros das sociedade foram impressionantes. À medida que estes eram conhecidos, novos sócios juntavam-se. Nos seis anos seguintes fundou mais nove sociedades de investimento para gerir o dinheiro de terceiros: a Ann Investments, Ltd, a Buffett Fund, Ltd, a Buffett-Holand, Ltd, a Buffett-TD, Ltd, a Dacee, Ltd, a Endee, Ltd, a Gaenoff, Ltd, a Mo-Buff, Ltd, e a Underwood Partnership, Ltd.[19] Nestas sociedades Buffett recebia 20% de toda a rendibilidade que excedesse os 6%[18], segundo o próprio Buffett, 25% por cento segundo outras fontes[3].

Em 1962, todas as sociedades de investimento foram consolidadas na Buffett Partnership, Ltd. que, por essa altura, reunia 98 sócios e 10,55 milhões de USD em capital. Nesta sociedade, Buffett recebia 25% dos lucros acima dos 6%. Se não excedesse, não ganharia nada. Adicionalmente, pagaria qualquer perda num dado ano com os lucros do ano anterior, o que não chegou a ser necessário.[19]

Em 1969, aos 39 anos, Buffett dissolveu a Buffett Partnership Ltd. quando tinha 100 milhões de USD sob gestão.[3] Fê-lo, essencialmente, porque a sua estratégia de investimento deixou de se aplicar aos mercados de então. Os múltiplos de mercado estavam altíssimos, o mercado sobrevalorizado e as pechinchas que Buffett procurava deixaram simplesmente de existir. Em vez de inventar outra estratégia, fechou a loja e devolveu o dinheiro aos clientes. No período entre 1957 e 1969, tanto nos bons anos como nos maus, tinha batido os índices. Durante este período, as suas sociedades tiveram uma rendibilidade anual composta bruta de cerca de 30%. A norma do mercado foi entre 7% e 11%.[20]

Durante o período de gestão destas sociedades de investimento, o pior investimento de Warren Buffett foi possivelmente a Berkshire Hathaway.

Comparação percentual da evolução da cotação das acções classe A da Berkshire Hathaway e do índice S&P 500, entre Janeiro de 1990 e Outubro de 2007.

A Berkshire Hathaway

Crystal Clear app xmag.png Ver artigo principal: Berkshire Hathaway.

Em 1962, a Buffett Partnership tinha adquirido acções de uma empresa têxtil de New Bedford, em Massachussets, a Berkshire Hathaway. Em 1963, eram já accionistas maioritários e, gradualmente, Buffett começou a redireccionar os fundos em excesso da companhia para investimento, nomeadamente companhias de seguros. Este investimento em seguros foi o começo da lenda do investimento em que a Berkshire Hathaway e Buffet se tornariam.

Influências

A filosofia de investimento de Buffett tem por base a escola de pensamento de Graham-Dodd[16]. Gradualmente Buffett alterou e optimizou-a à medida que se apercebeu dos seus pontos mais fracos. Globalmente, pode dizer-se que a sua estratégia de investimento consiste numa abordagem de value investing, com as seguintes influências:[21]

  • Benjamin Graham, de quem recebeu a base da sua estratégia: o investimento em valor, na perspectiva do negócio. Graham comprava companhias por considerá-las baratas em comparação com o seu valor intrínseco. Acreditava que enquanto o mercado as subavaliasse em relação ao seu valor intrínseco o seu investimento era sólido. O raciocínio era o de que o mercado eventualmente se apercebe da subavaliação em que incorreu e corrigirá, independentemente do tipo de negócio da empresa subavaliada. Acreditava, adicionalmente, que qualquer negócio tem de ter um estado financeiro sólido.
  • Philip Fisher, de quem adoptou a ideia de que o único negócio que vale a pena comprar é o que tenha bom desempenho financeiro e a teoria de que a altura certa para vender não existe.
  • John Burr Williams, de quem Graham adquiriu a ideia de que o valor de um negócio depende dos seus resultados futuros.
  • John Maynard Keynes, de quem Warren adoptou o conceito de uma carteira concentrada e a importância de estudar uma área a fundo e não divagar.
  • Charlie Munger, o que mais influenciou Buffett, que o convenceu a concentrar-se na compra de negócios excelentes a preços que fazem sentido, em vez de procurar pechinchas ao estilo de Graham.

Sob a influência de Munger, a abordagem de investimento de Buffett afastou-se da aderência estrita aos princípios de Graham, e começou a concentrar-se em negócios de grande qualidade com vantagens competitivas duradouras. Ele descreveu essas vantagens como um "fosso competitivo" que mantém os rivais à distância, ao contrário de negócios de mercadorias e matérias-primas (commodities), que vendem produtos indeferenciados e têm competidores directos.

O investimento em negócios com grandes fossos competitivos tornou-se uma imagem de marca da Berkshire Hathaway, particularmente na aquisição de companhias completas em vez de posições minoritárias. Em resultado disto, possui actualmente um grande número de negócios de topo nas suas respectivas indústrias, que se especializam em nichos de mercado e possuem outras características diferenciadoras que as separam dos competidores.

Filosofia de investimento

Compre acções de uma companhia porque quer ser dono dela, não porque espera que elas subam.

—Warren Buffett[20]

Grosso modo, as seguintes são apontadas por Mary Buffett (sua ex-nora) e David Clark como ideias centrais na filosofia de investimento de Buffett:[22]

  • Investimento na perspectiva da empresa. Quando compra acções, o que Buffet está a comprar é uma parte de uma empresa. O investimento é feito na perspectiva dessa empresa, não com base em qualquer característica das suas acções. Primeiro identifica as boas empresas que quer comprar. Depois calcula qual é um bom preço para comprá-las. Só depois olha para a cotação das acções para ver se as empresas estão à venda pelo preço a que as compraria. Se não estiverem, espera por correcções ou quedas do mercado para comprar negócios sólidos a preços razoáveis, porque as quedas apresentam oportunidades de compra.
  • Uma boa empresa para investimento reúne as seguintes características:
  1. Está numa indústria que não é de commodities, que tem boas perspectivas futuras, e a empresa não compete em termos de preço.
  2. Tem um monopólio de consumidores (o gerente de uma loja tem de ter esse produto à venda) ou a sua marca gera lealdade.
  3. Tem um fosso competitivo vasto e difícil de transpor.
  4. Tem consistentemente resultados (owner earnings) fortes, em tendência ascendente e com boas margens.
  5. O seu rácio de endividamento é baixo, ou o earnings-to-debt é alto e portanto está financiada de forma conservadora.
  6. Obtém consistentemente elevada rendibilidade dos capitais próprios (>15%).
  7. Não distribui dividendos quando pode reter os lucros e reinvesti-los com boas taxas de rendibilidade, desta forma capitalizando os seus resultados para o accionista.
  8. Tem poucas necessidades de capital na manutenção das operações correntes, CAPEX reduzido e não tem investment cash outflow (isto não é o mesmo que investir em expansão de capacidade).
  9. Pode aumentar os preços para ajustá-los à inflação, sem afectar negativamente o negócio.
  10. Tem um valor por acção a responder ao aumento real do valor económico da empresa.
  • Um bom preço para comprar uma empresa garante uma taxa de rendibilidade anual superior a oportunidades de investimento alternativas. Para calcular a taxa de rendibilidade do investimento, Buffett olha para uma acção como se de uma obrigação se tratasse. Calcula os rendimentos dessa acção/obrigação pelos resultados da empresa, quer estes sejam retidos ou distribuídos. Considera ambos seus, isto é, o lucro retido é recebido indirectamente porque acaba por ser reflectido na cotação. O lucro distribuído é recebido directamente (menos impostos). Tendo calculado os rendimentos futuros da acção como obrigação, e sabendo qual a taxa de rendibilidade que deseja, daí retira o preço a que está preparado para comprar a empresa. Porque o preço determina a rendibilidade do investimento.

Buffett também investe em situações esporádicas que permitem arbitragens, geradas por situações empresariais independentes das alterações globais de mercado, tais como arbitragens de fusões em fusões e aquisições, situações de liquidação, etc.

Quando identifica negócios muito bons, opta preferivelmente por acumular participações significativas e controlar a empresa, aliando-se a outros accionistas ou usando intermediários para introduzir mudanças na empresa se necessário.

Buffet é conhecido por ser conservador em períodos de especulação desmedida nos mercados e agressivo quando outros temem pelo seu capital. Esta estratégia contrária permitiu à Berkshire atravessar a explosão e implosão da Internet sem danos de maior, embora alguns críticos tenham referido que ela pode ter levado a Berkshire a não aproveitar potenciais oportunidades durante esse período.

Buffett foi o criador dos termos fosso competitivo no contexto económico, avaliar ao valor mítico (mark-to-myth) para classificar, de forma irónica, a maneira como certos instrumentos derivados são avaliados e criou também o conceito de owner earnings.

As cartas de Warren Buffett aos accionistas são uma fonte preciosa para compreender em maior detalhe o seu estilo e perspectivas de investimento.

Estilo de gestão

Warren Buffett considera-se sobretudo um perito na alocação de capital. A sua responsabilidade primária é a alocação de capital a negócios financeiramente saudáveis.

Mantém as equipas de gestão das companhias adquiridas. Quando adquire uma posição de controlo numa companhia, deixa claro ao seu dono que:

  • Não irá interferir na gestão corrente da companhia.
  • Será responsável pela contratação do executivo de topo e por estabelecer a sua remuneração.
  • Qualquer capital investido no negócio terá um custo (hurdle rate), uma taxa de rendibilidade mínima exigida. Este processo visa motivar os negócios a enviar o capital em excesso, que não conseguem rentabilizar acima desse custo, para a Berkshire em vez de o investirem a baixas taxas de retorno. O capital assim libertado pode depois ser investido em oportunidades que ofereçam melhores taxa de rendibilidade.

A abordagem de Buffett, não-interventiva na gestão do negócio, teve grande aceitação e deixou espaço aos seus gestores para se sentirem donos, e em última instância os verdadeiros decisores, dos seus negócios. Esta estratégia de aquisições permitiu a Buffett adquirir companhias a preço justo porque os vendedores desejavam espaço para operar independentemente após a venda.

Para além das suas capacidades na gestão dos fundos gerados pela Berkshire, Buffett é mestre na gestão do balanço. Desde que adquiriu a Berkshire Hathaway, Buffett pesou toda e cada decisão em termos do seu impacto no balanço. Até 2005, tinha tido sucesso em tornar a Berkshire numa das nove companhias cuja notação de risco de crédito da Standard & Poor's era AAA (equivalente a uma obrigação), a mais alta notação possível de atingir e, portanto, com o menor custo de financiamento externo.

Buffet acredita que, no futuro próximo, a sua companhia não está vulnerável a catástrofes naturais ou económicas. Ao longo dos anos tem afirmado repetidamente que a sua companhia de seguros é a única de que tem conhecimento cujos cheques terão cobertura em períodos de grande instabilidade económica.

Posições públicas

Foram publicados pelo menos 17 artigos seus na imprensa. Os seus escritos são conhecidos por conterem citações literárias desde a Bíblia até Mae West, aconselhamento à moda do mid-west americano e muitas piadas. Tem uma forma característica de aliar o humor à discussão séria sobre negócios. Os relatórios anuais e cartas aos accionistas da Berkshire, que são preparados por Buffett, recebem com frequência cobertura da imprensa financeira. Todos os anos Buffett preside à reunião anual de accionistas da Berkshire Hathaway no Qwest Center em Omaha, no Nebraska, um evento que atrai mais de 20.000 visitantes dos Estados Unidos e do estrangeiro, tendo sido apelidado "O Woodstock do Capitalismo".

Existem, também, numerosas declarações suas, registos de conferências, e entrevistas televisivas. Assume frequentemente posições públicas contrárias às modas do mundo financeiro. Numerosas páginas da internet exultam as virtudes de Buffett enquanto outras censuram os seus modelos de negócio ou repudiam as suas decisões e conselhos de investimento.

Buffett tem criticado repetidamente a indústria financeira pelo que considera ser uma proliferação de aconselhadores que não adicionam valor, mas são compensados com base no volume de transacções que facilitam. Tem apontado o crescente volume de transacções como prova de que uma proporção cada vez maior dos ganhos dos investidores estão a ficar nos brokers e outros intermediários.

Buffett salientou o aspecto improdutivo do ouro em Harvard em 1988: "É escavado da terra em África, ou algures. Depois fundimo-lo, cavamos outro buraco, enterramo-lo outra vez e pagamos pessoas para ficar ali a guardá-lo. Não tem utilidade. Qualquer um a observar-nos a partir de Marte estaria a coçar a cabeça".

Buffett acredita que o USD irá perder valor a longo termo. Encara o défice comercial dos Estados Unidos como uma tendência alarmante que irá desvalorizar o dólar e os activos americanos e resulta no aumento da porção de activos americanos nas mãos de estrangeiros. Isto levou-o a entrar no mercado cambial pela primeira vez em 2002. No entanto, reduziu substancialmente os seus interesses em 2005, porque alterações nas taxas de juro aumentaram os custos de posse dos contratos de câmbio. Buffett continua a ter uma perspectiva negativa em relação ao USD, e afirma estar à procura de companhias cujas receitas tenham em grande parte origem fora dos Estados Unidos.

Em 1984, no artigo "The Superinvestors of Graham-and-Doddsville", condenou a posição académica de que o mercado é eficiente e de que bater o S&P 500 era "pura sorte". Rebateu esta posição nomeando diversos colegas, seguidores da escola de pensamento de Graham e Dodd, que bateram o S&P 500 "ano após ano". Adicionalmente a si próprio, nomeou: Walter J. Schloss, Tom Knapp, Ed Anderson (Tweedy, Brown Inc.), Bill Ruane (Sequoia Fund, Inc.), Charles Munger, Rick Guerin (Pacific Partners, Ltd.), e Stan Perlmeter (Perlmeter Investments).[16]

Em 1994, no artigo "Stock Options and Common Sense", criticou o esforço do Congresso dos Estados Unidos para demover a SEC e o FASB de adoptarem regras que contabilizassem a atribuição de stock options como despesas.[23] Após os escândalos Enron e Worldcom o clima político alterou-se. Muitas companhias começaram a contabilizar opções como despesas voluntariamente, e em 2004 o FASB finalmente conseguiu instituir a regra.[24] Buffett considera que a iniciativa do congresso foi responsável pela mentalidade facilitista dos anos 90 e gosta de compará-la à Lei de Pi, uma lei passada no século XIX no estado de Indiana, mas barrada no senado, que alterava o valor de Pi, arrendondando-o de 3,1415... para 3,20.[25][26]

Buffett é favorável à existência de impostos sobre sucessões e doações. Em 2001, afirmou que a extinção destes impostos seria como "escolher a equipa olímpica de 2020 seleccionando os primogénitos dos medalhistas de ouro das olimpíadas de 2000" o que originaria uma "aristocracia da riqueza" em vez de uma meritocracia.[27]

Em 1994, Buffett mostrou-se favorável aos impostos progressivos sobre o consumo, em que a taxa do imposto sobe com o aumento do consumo, em vez de uma taxa única de imposto, que considera não ser proporcional. Pensa que, embora no curto prazo este tipo de imposto tivesse efeitos detrimentais na economia, a longo prazo resultaria num aumento do investimento e dos padrões de vida.[28]

Em Outubro de 2007, Buffett declarou que os bilionários americanos pagam uma taxa de imposto (percentual) menor do que os seus empregados. Ilustrou este ponto desta forma:

«Os meus impostos totais sobre os rendimentos [payroll tax mais income tax] foram 17,7%. A média no escritório [da Berkshire] foi 32,9%. Não houve ninguém no escritório, começando pela recepcionista, que tivesse pago uma taxa tão baixa. E eu não faço planeamento de impostos, não tenho contabilista, não tenho tax shelters, só sigo o que o Congresso me diz para fazer.» (Warren Buffett, 2007)[29]

Lançou um desafio aos bilionários que constam da Forbes 400 Richest People, dizendo que doará 1 milhão de USD para obras de caridade se algum demonstrar que, em média, paga uma taxa de imposto menor do que a sua secretária. Até meados de Novembro de 2007, nenhum aceitara o desafio. A maioria dos impostos que paga são sobre mais-valias e acredita que a tributação de mais-valias devia ser aumentada. Acerca dos efeitos nocivos de um aumento da tributação de mais-valias, é citado dizendo que se recorda de que quando este imposto era de cerca de 40%, ninguém saia do emprego às três da tarde dizendo que ia para o cinema porque já pagava demasiados impostos.[29]

Na reunião anual de accionistas de Maio de 2007, foi votada uma proposta para que a Berkshire alienasse a sua posição na PetroChina Co. Ltd. (NYSE:PTR), por alegadamente ter operações na região de Darfur no Sudão, e lá ocorrerem violações continuadas dos direitos humanos. A proposta foi votada maioritariamente contra, seguindo a recomendação da comissão executiva. Buffett justificou esta posição salientando que embora o governo chinês tenha interesses na zona, não é claro que a PetroChina os tenha. E embora o governo chinês controle a PetroChina o inverso não ocorre. Adicionalmente, um eventual desinvestimento do governo chinês naquela zona resultaria num fortalecimento do governo sudanês em consequência das receitas adicionais do petróleo.[30] A Berkshire viria a desfazer-se desta posição meses mais tarde, pouco antes de, em Novembro de 2007, a PetroChina se tornar a primeira companhia do mundo a atingir uma capitalização de 1 bilião (1012) de USD.[31]

Buffett tem feito angariações de fundos para as campanhas à presidência de Hillary Clinton e de Barack Obama. Não indicou em quem votará, mas afirmou que ambos dariam "grandes presidentes".[32]

Filantropia

Em Junho de 2006, Warren Buffet anunciou planos de doar aproximadamente 10 milhões de acções classe B da Berkshire Hathaway à Fundação Bill & Melinda Gates (avaliadas em 30,7 mil milhões de USD aproximadamente, a 23 de Junho de 2006)[33] tornando-a na maior doacção para obras de caridade da história. A fundação irá receber, no mês de Julho de cada ano, 5% da doacção total, com início em 2006. Buffett irá também integrar o Conselho de Administração da fundação, embora não preveja envolver-se activamente na sua gestão.

Buffett também anunciou planos de doar 6,7 mil milhões de USD adicionais em acções da Berkshire à Fundação Susan Thompson Buffett e a outras fundações geridas pelos seus três filhos. Esta constituiu uma mudança significativa em relação a declarações anteriores, pois havia afirmado que a maioria da sua fortuna passaria para a sua Fundação Buffett. A maior parte do património da sua mulher, avaliado em 2,6 mil milhões de USD, passou para essa fundação aquando da sua morte em 2004.[34]

Os seus filhos não irão herdar porções significativas da fortuna. Isto é consistente com afirmações suas do passado em que indicava ser contra a transferência de grandes fortunas entre gerações. Comentou uma vez, "Quero dar aos meus filhos o suficiente para que se achem capazes de poder fazer qualquer coisa, mas não tanto que achem que podem não fazer nada".[35]

As duas citações seguintes, de 1995 e 1988 respectivamente, salientam a perspectiva de Warren Buffett sobre a sua riqueza e sobre como, de há longa data, planeia redistribui-la:

Pessoalmente penso que a sociedade é responsável por uma percentagem significativa do que ganhei. Se me tirarem daqui e me puserem no meio do Bangladeche ou do Peru ou algures, descobrem o quanto este talento produz no tipo de solo errado... Eu trabalho num sistema de mercado que por acaso premeia muito bem o que eu faço - desproporcionadamente bem. O Mike Tyson também. Se se consegue eliminar um tipo por knock-out em 10 segundos e ganhar 10 milhões com isso, este mundo pagará muito por tal coisa. Se se é um professor maravilhoso, este mundo não pagará muito por isso. Se se é uma enfermeira fenomenal, este mundo não pagará muito por isso. Então, vou tentar inventar um sistema de valores comparativo que de uma forma qualquer (re)distribui isso? Não, não creio que se possa fazê-lo. Mas creio que quando se é imensamente bem tratado por este sistema de mercado, onde com efeito o sistema nos dá em fartura a capacidade de comprar bens e serviços devido a um qualquer talento especial - talvez por se ter os adenóides de uma certa forma, o que nos permite cantar e todos pagarão enormes somas para estarmos na televisão, ou o que quer que seja - penso que a sociedade pode reinvindicar muito disso. (Lowe 1997:164-165)
Não tenho problemas de consciência sobre o dinheiro. Vejo a coisa pelo prisma de que o meu dinheiro representa um número enorme de reinvidicações à sociedade. Tenho uns pedacinhos de papel que posso transformar em consumo. Se quisesse, podia contratar 10.000 pessoas para não fazerem outra coisa que não fosse pintar o meu retrato todos os dias para o resto da minha vida. E o PNB subiria. Mas a utilidade do produto seria nenhuma, e afastaria essas 10.000 pessoas da pesquisa ao HIV SIDA, do ensino, da enfermagem. Não faço isso. Não uso muitíssimos desses papelinhos reinvindicativos. Não há nada de material que eu deseje muito. E vou dar quase todos os papelinhos reinvindicativos a obras de caridade quando a minha mulher e eu morrermos. (Lowe 1997:165-166)

Desde 2000, Buffett angariou fundos para a Glide Foundation através de leilões na internet. Os licitantes doaram até 650.100 USD pela oportunidade de uma refeição com Buffett.

Em Setembro de 2006, Buffett colocou em leilão o seu Lincoln Town Car para ajudar a Girls, Inc.[36] O veículo foi arrematado por 73.200 USD na eBay.[37]

Em Maio de 2007, pescadores, chefes tribais e líderes ambientais do noroeste da Califórnia foram a Omaha pedir a Buffett que demolisse quatro barragens no rio Klamath.[38] As barragens pertencem à Pacific Corp., subsidiária da Berkshire Hathaway, e estavam em processo de renovação de licenciamento. Estas barragens têm tido efeitos devastadores nas zonas de pesca do rio. Os membros das tribos Hupa, Yurok e Karuk que dependem destas zonas de pesca foram particularmente atingidos. Em Setembro de 2002, os baixos caudais causados pelas barragens causaram a morte de pelo menos 33.000 salmonídeos adultos. À data de Julho 2007, com os caudais do rio Klamath a atingirem outra vez níveis perigosamente baixos, não é claro qual será a reacção de Buffett.

Cronologia

Ano Idade Evento
1938 8
  • Lê os primeiros livros sobre mercados financeiros.[3]
1941 11
  • Com um amigo, cria uma folha de handicapps para corridas de cavalos chamada Stable-Boy Selections.[3]
  • Vai trabalhar na corretora do seu pai[14]
  • Faz a primeira compra de acções, comprando 3 preferenciais da Cities Services, por 38,25 USD que vende a 40 após recuperação de uma queda. Fica a vê-as subir até aos 200 USD.[13]
  • Dedica-se à análise de gráficos (charting) e a estratégias de market timing.[3]
1943 13
  • Preenche a primeira declaração de rendimentos, deduzindo o custo da sua bicicleta, 35 USD.[Nota: Citação] Paga 7 USD de impostos.[29]
  • A família muda para Washington quando o seu pai é eleito para o congresso.[3]
1944 14
  • Buffet e um amigo gastam 25 USD para comprar uma máquina de flippers em segunda mão, que colocam numa barbearia.[14] Em poucos meses, têm três máquinas em diferentes locais.
1947 17
  • Termina o ensino secundário.[3]
1949 19
  • Inscreve-se na Fraternidade Alpha Sigma Pi durante os estudos de pré-graduação na Universidade da Pennsylvania. O seu pai e tios também haviam sido membros desta fraternidade no Nebraska, para onde Warren eventualmente se transferirá.
1950 20
  • Lê pela primeira vez The Intelligent Investor (O Investidor Inteligente) de Benjamin Graham.[3]
  • No Verão, é rejeitado pela Harvard Business School. Descobre que Benjamin Graham e David Dodd, conhecidos analistas de mercados financeiros, ensinam na Columbia Business School. Consegue entrar.[3]
1951 21
  • Descobre que Graham está no conselho de administração da seguradora GEICO. Num sábado, toma o comboio até Washington D.C. e bate à porta da sede da GEICO até um porteiro o deixar entrar. Aí, conhece Lorimer Davidson, o vice-presidente, que se tornará numa influência duradoura para Buffett e amigo para toda a vida.[39]
  • Buffett termina a pós-graduação de Columbia e quer trabalhar em Wall Street. Oferece-se para trabalhar para Graham sem qualquer vencimento, mas Graham recusa.[3]
  • Compra uma estação de serviço Sinclair como investimento marginal mas a aventura não corre tão bem como esperava. Usando o que aprendera, sente-se suficientement confiante para leccionar uma cadeira nocturna na Universidade do Nebraska, "Princípios do Investimento". A idade média dos alunos que ensina é mais do dobro da sua.
1952 22
  • Em Abril, casa com Susan Thompson.[40]
  • O casal tem a sua primeira criança, Susie Buffett.[40]
1954 24
  • Benjamin Graham oferece trabalho a Buffett na sua sociedade com um salário anual inicial de 12.000 USD. Aqui, trabalha em conjunto com Walter Schloss.
  • A 16 de Dezembro, o casal tem a sua segunda criança, Howard Graham Buffett.[40]
1956 26
  • Benjamin Graham reforma-se e dissolve a sua sociedade.
  • As poupanças pessoais de Buffett são agora mais de 140.000 USD.
  • Buffett regressa a casa em Omaha e cria a Buffett Associates, Ltd, uma sociedade de investimento.[3]
1957 27
  • Buffett tem três sociedades de investimento a operar durante todo o ano.
  • Compra uma casa com cinco quartos de dormir, de exterior rebocado em Farnam Street, por 31.500 USD.
1958 28
  • A 4 de Maio, o casal tem a sua terceira criança, Peter Andrew Buffett.[40]
  • Buffett tem cinco sociedades de investimento a operar durante todo este ano.
1959 29
  • Buffett tem seis sociedades de investimento a operar durante todo este ano.
  • Conhece Charlie Munger.
1960 30
  • Buffett tem sete sociedades de investimento a operar durante todo este ano.
  • Buffett pede a um dos seus sócios, médico, para encontrar dez outros médicos que queiram investir 10.000 USD cada, na sua sociedade de investimento. Eventualmente, onze concordam fazê-lo.
1961 31
  • Buffett revela que a Sanborn Map Company representa 35% dos activos das suas sociedades de investimento. Explica que em 1958 a Sanborn transacciona a 45 USD por acção quando o valor da carteira de investimentos da companhia era 65 USD por acção. Isto significa que os vendedores avaliavam a Sanborn a "menos 20 USD" por acção, e os compradores não estavam dispostos a pagar mais do que 70 cêntimos por cada dólar de uma carteira de investimentos com um negócio de mapas incluído grátis.
  • Revela que ganhou um lugar no Conselho de Administração da Sanborn.
1962 32
  • As sociedades de investimento, em Janeiro de 1962, tinham mais de 7.178.500 USD dos quais 1.025.000 pertenciam a Buffett.
  • Buffett funde todas as sociedades numa única, a Buffett Partnership, Ltd.[19]
  • Descobre uma companhia que manufactura têxteis, a Berkshire Hathaway a cotar abaixo do seu fundo de maneio. A Buffett Partnership começa a adquirir acções da Berkshire a 7.60 USD cada.
1965 35
  • Quando as sociedades começam a comprar acções da Berkshire agressivamente, pagam 14.86 USD por acção enquanto que a companhia tem um fundo de maneio de 19 USD por acção.
  • Buffett toma o controlo da Berkshire Hathaway.
1966 36
  • Buffett fecha a Buffett Partnership a novo capital. Escreve na carta aos accionistas: "a menos que se torne aparente que as nossas circunstâncias se alteraram (em certas condições capital adicional melhoraria os resultados) ou a menos que novos sócios tragam outro activo para a sociedade que não simplesmente capital, é minha intenção não admitir novos sócios na BPL".
  • Numa segunda carta, anuncia o seu primeiro investimento num negócio não cotado em bolsa - Hochschild, Kohn, and Co, uma privately owned grande casa comercial de Baltimore.
1967 37
  • A Berkshire paga o seu primeiro e único dividendo, 10 cêntimos.
1969 39
  • Após o ano de maior sucesso, Buffett dissolve a sociedade e transfere os activos para os seus sócios. Entre os activos transferidos estavam acções da Berkshire Hathaway.
1970 40
  • Como presidente do conselho de administração da Berkshire Hathaway, começa a escrever as hoje famosas cartas anuais aos accionistas.
1973 43
  • A Berkshire inicia a aquisição de acções da Washington Post Company. Buffett torna-se amigo chegado de Katharine Graham, que controlava a companhia e o seu jornal, e torna-se membro do conselho de administração.
1977 47
  • Buffett e sua mulher, Susan, passam a viver separados. Susan vai para São Francisco trabalhar na sua carreira de cantora. Mantêm-se amigos e passam algumas férias em conjunto.[40]
1979 49
  • A Berkshire inicia a aquisição de acções da ABC. Com estas a negociarem a 290 USD por acção, a fortuna de Buffett aproxima-se dos 140 milhões de USD. No entanto, ele vive somente do seu salário anual de 50.000 USD.
  • A Berkshire começa o ano a transaccionar a 775 USD por acção e termina-o a transaccionar a 1.310 USD. A fortuna de Buffett atinge os 620 milhões de USD, colocando-o pela primeira vez na lista Forbes dos 400 americanos mais ricos.
1988 58
  • Buffett inicia a aquisição de acções da Coca-Cola Company, eventualmente adquirindo 7% da companhia por 1,02 mil milhões de USD. Este viria a ser um dos investimentos mais lucrativos da Berkshire e ainda se mantém.
1999 69
  • Buffett é considerado o melhor money manager do século XX numa survey feita pelo Carson Group, superando Peter Lynch e John Templeton.[41]
2002 72
  • Buffett inicia uma posição de 11 mil milhões de USD de contratos de câmbio para entregar USD contra outas moedas. Por alturas de Abril de 2006, o seu lucro total nestes contratos será de 2 mil milhões de USD.
2004 74
  • A 29 de Julho a sua mulher, Susan, falece aos 72 anos.[40]
2006 76
  • A 30 de Agosto, dia do seu 76º aniversário casa com Astrid Menks, que vivia com ele desde a separação da sua mulher.[40]
  • Buffett anuncia em Junho que irá doar mais de 85%, cerca de 30,7 mil milhões de USD, da sua fortuna de 44 mil milhões a cinco fundações, em doacções anuais, começando em Julho de 2006. A maior doacção irá para a Fundação Bill e Melinda Gates.
2007 77
  • Numa carta aos accionistas, Buffett anuncia que está à procura de um sucessor (ou sucessores) mais jovem para gerir o seu negócio de investimentos. Buffett tinha anteriormente escolhido Lou Simpson, que gere os investimentos da GEIKO, para a posição. No entanto, Simpson é só 6 anos mais novo do que Buffett.[42]

Ver também

Referências

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  2. ((en)) "Warren Buffett: Investment guru", bbcnews.com, 2003-08-14. Consultado em 2007-10-18. 
  3. 3,00 3,01 3,02 3,03 3,04 3,05 3,06 3,07 3,08 3,09 3,10 3,11 3,12 3,13 3,14 3,15 3,16 3,17 3,18 ((en)) Carol J. Loomis (1988-04-11). The Inside Story of Warren Buffett. Consultado a 2007-10-26.
  4. ((en)) Alex Markels. "How to Make Money The Buffett Way", usnews.com, 2007-07-29. Consultado em 2007-10-18. 
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  7. ((en)) Warren Buffet (1990-03-02). Carta aos Accionistas da Berkshire Hathaway referente ao ano 1989 secção "Miscelânea". Consultado a 2007-10-18.
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  10. ((en)) Rich Smith. "Stupid CEO Tricks", The Motley Fool, 2005-06-29. Consultado em 2007-10-18. 
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Outras referências

  • Lowe, Janet C. [1997] Warren Buffett Speaks : wit and wisdom from the world's greatest investor, John Wiley & Sons, Inc., pp. 164-166 (ISBN 0-471-16996-X).
  • Warren Buffett Talks Business, The University of North Carolina Center for Public Television, Chapel Hill, 1995 (mais tarde modificado por carta de Buffett ao autor), pg. 192.
  • Warren Buffett - The Pragmatist, Revista Esquire, Jun 1988, pg. 159.

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