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PER

Da Thinkfn

O PER como previsor dos retornos accionistas nos 20 anos seguintes, baseado em dados de Robert Shiller[1]. O Eixo horizontal representa o PER Real do S&P Compósito (1871-2006) tal como calculado no livro Exuberância Irracional (cotações ajustadas pela inflação, divididas por uma média dos resultados dos últimos 10 anos, ajustados pela inflação). O Eixo vertical mostra a média geométrica do retorno de investir no S&P Compósito, reinvestindo dividendos, e vendendo 20 anos mais tarde. Os dados de períodos diferentes de 20 anos estão coloridos de forma diferente.

O PER (price-to-earnings ratio ou rácio preço/lucro) é um rácio financeiro, que relaciona os lucros líquidos da empresa com a sua capitalização bolsista, ou os resultados por acção com a sua cotação.

Ou seja, o PER é quantas vezes o investidor paga pelos lucros da empresa. Se estes fossem totalmente distribuídos e não existisse crescimento, seria o número de anos que o investidor demoraria a recuperar o seu investimento na empresa à cotação presente.

É portanto uma medida de valorização da empresa, especialmente útil para estabelecer a valorização relativa entre empresas, mas também como medida absoluta da valorização das empresas, embora nesse caso seja influenciada pelo nível das taxas de juro.

Índice

Cálculo do PER

Existem duas formas simples de cálculo:


\mbox{PER}=\frac{\mbox{Cotacao}}{\mbox{EPS}}


ou


\mbox{PER}=\frac{\mbox{Capitalizacao bolsista}}{\mbox{Resultados liquidos}}


De notar que o EPS ou resultados líquidos considerados tanto podem ser os históricos, como os previsionais (o que elimina um pouco o problema do crescimento). Existe ainda quem calcule o PER com base numa média um pouco mais longa dos resultados gerados por uma empresa ou pelo conjunto das empresas no mercado, para eliminar o efeito de ciclos. Isto é particularmente importante quando estamos a analisar empresas cíclicas.

É também de referir que os resultados líquidos ou EPS considerados são geralmente expurgados de resultados extraordinários ou não recorrentes, para melhor reflectir a verdadeira performance operacional de cruzeiro da empresa.

Vantagens do PER

A vantagem mais óbvia é que o PER providencia uma medida de valorização de cada empresa, mas podemos ainda falar:

  • Em situações limite, perante capitalizações bolsistas muito elevadas ou resultados muito elevados, um PER elevado estará correlacionado com retornos futuros baixos, pela manifesta incapacidade de crescer fortemente os resultados e portanto de fazer diminuir substancialmente o PER nessa situação.
  • Também PERs muito baixos em situações de pânico de mercado, nas quais não exista realmente perspectiva de a actividade subjacente diminuir fortemente (por exemplo, em utilities) tenderão a levar a retornos elevados no futuro.

Defeitos do PER

O PER tem alguns defeitos óbvios:

  • Não leva em conta a estrutura de financiamento da empresa, excepto marginalmente via efeito dos custos financeiros nos resultados líquidos. Quer isso dizer que uma empresa muito endividada não vê esse facto reflectido muito negativamente no PER apresentado, sendo que outras medidas baseadas no enterprise value (EV) reflectirão melhor essa realidade;
  • Não leva em conta o crescimento da empresa, que faz com que um PER aparentemente elevado no presente possa ser um PER baixo no futuro próximo. Isto é particularmente grave se os resultados que estão a ser utilizados para calcular o PER forem baixos em termos absolutos, pois nesse caso terão facilidade em crescer a taxas percentuais muito elevadas;
  • Não leva em conta a capacidade da empresa reinvestir os fundos que gera a taxas elevadas, o que permite crescimento futuro também (ou seja, não leva em conta o ROE);
  • O PER é extremamente enganador na análise de empresas cíclicas, pois estas tendem a possuir PERs baixos no topo do ciclo (pois começam a descontar o fim inevitável deste), e PERs elevados (ou mesmo inexistentes devido aos prejuízos) no fundo do ciclo;
  • Se estivermos perante uma empresa em fase de lançamento, com extremo potencial futuro de geração de resultados mas sem resultados positivos no presente, ou com resultados baixos, o PER será enganador.

PER do mercado

Podemos também apurar um PER para a totalidade do mercado, que curiosamente eliminará uma boa parte dos problemas do PER individual, pois torna menos importante a estrutura de capital de cada empresa (já que falamos da totalidade do mercado) a menos que estejamos perante um uso abusivo ou demasiado baixo de dívida na economia em geral. Elimina também uma parte do problema do crescimento, visto que a prazo a economia e os resultados das empresas têm forçosamente que crescer a uma média similar (na casa dos 5% nominais).

O PER para a totalidade do mercado calcula-se pelo somatório de todas as capitalizações de todas as empresas divididas pela soma de todos os resultados de todas as empresas:


\mbox{PERmercado}=\frac{\sum \mbox{Capitalizacoes bolsistas}}{\sum \mbox{Resultados liquidos}}

Ver também

Referências

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