Estrutura de capital

Da Thinkfn

A estrutura de capital refere-se à forma como uma empresa financia os seus activos, através de uma combinação de capitais próprios, dívida (capitais alheios) e instrumentos híbridos.

Modigliani-Miller

A teoria de Modigliani-Miller é a base do pensamento moderno sobre a estrutura de capital. Esta teoria postula que num mercado perfeito, o valor da firma é irrelevante para a escolha de como esta se financia. A teoria, porém, parte de uma série de pressupostos que não são aplicáveis ao mundo real.

Outras teorias

Embora a estrutura de capital possa ser irrelevante num mundo perfeito, as imperfeições que existem no mundo real são bem relevantes, o que leva a uma série de outras teorias que procuram levá-las em conta.

Teoria do Trade-off

Na Teoria do Trade-off, existem custos de falência. Esta teoria postula que existem vantagens para usar dívida no financiamento (nomeadamente uma vantagem fiscal) e que existem custos (o custo da falência). Os benefícios marginais de acrescentar mais dívida diminuem à medida que se aumenta mais a dívida, ao passo que os custos marginais crescem com o crescimento da dívida. Assim, uma firma que procure optimizar o seu valor tem que procurar um Trade-off (compromisso) entre estas duas variáveis.

Teoria da prioridade

A Teoria da prioridade procura capturar os custos da informação assimétrica. Esta teoria postula que as companhias dão prioridade às suas fontes de financiamento (de financiamento interno até capital próprio) de acordo com a lei do esforço mínimo ou da resistência mínima, preferindo obter capital próprio como financiamento apenas em último caso. Assim, dívida interna é usada primeiro, depois dívida externa, e quando deixa de ser possível emitir mais dívida é emitido capital próprio.

A teoria da prioridade foi popularizada por Myers (1984) quando este argumenta que o capital próprio é a forma menos preferida de obter capital, porque quando tal é feito, assume-se que os gestores (que conhecem melhor o negócio que os investidores) estão implicitamente a pensar que o negócio está sobreavaliado.

Custos de agência

Existem 3 tipos de custos de agência que explicam a relevância da estrutura de capital:

  • O efeito de substituição de activos: À medida que o rácio de endividamento cresce, a gestão tem um incentivo acrescido para proceder a projectos arriscados, incluindo projectos com Valor actual negativo. Isto acontece porque se o projecto tiver sucesso, os accionistas terão todo o upside, e se tiver insucesso, os credores terão todo o downside;
  • Problema do subinvestimento: Se a dívida é de alto risco (e portanto, bem remunerada), o ganho de novos projectos que tenham sucesso irá para os credores e não para os accionistas. Assim, a gestão terá um incentivo em rejeitar projectos com valor actual positivo, mesmo que tenham potencial para aumentar o valor da companhia;
  • Free cash flow: A menos que o free cash flow seja devolvido aos investidores, a gestão terá um incentivo para destruir valor através da criação de impérios, de benefícios injustificados, etc. Aumentar a alavancagem neste caso impõe disciplina à gestão.

Outras

  • Hipótese do Market timing - A estrutura de capital é o resultado histórico cumulativo das decisões de market timing dos gestores.[1]

Arbitragem

A estrutura de capital de uma empresa pode dar origem a oportunidades de arbitragem para um especulador ou investidor. Estas oportunidades surgem das cotações a que os vários instrumentos de financiamento de uma empresa, com diversas maturidades e senioridades, transaccionam. É por exemplo comum em empresas em dificuldades, comprar a dívida destas (a forte desconto) e vender curto as acções. Existe também todo um ramo de arbitragem de obrigações convertíveis.

Ver também

Referências

  1. (April 18, 2001) Market Timing and Capital Structure.

Links relevantes