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Escola Keynesiana

Da Thinkfn

A escola de pensamento económico keynesiana tem as suas origens no livro escrito por John Maynard Keynes chamado "Teoria Geral do Emprego, Juros e Moeda".[1] Rapidamente muitos economistas aderiram a esta escola, o que foi chamado de revolução keynesiana.

A escola keynesiana fundamenta-se no princípio de que o ciclo económico não é auto-regulador como pensavam os neoclássicos, uma vez que é determinado pelo "espírito animal" dos empresários.

É por esse motivo, e pela ineficiência do sistema capitalista em empregar todos os que querem trabalhar, que Keynes defende a intervenção do Estado na economia.

Índice

Teoria Keynesiana

A teoria de Keynes é baseada no princípio de que os consumidores aplicam as proporções de seus gastos em bens e poupança, em função do rendimento. Quanto maior o rendimento, maior a percentagem do rendimento poupada. Assim, se o rendimento agregado aumenta em função do aumento do emprego, a taxa de poupança aumenta simultaneamente e como a taxa de acumulação de capital aumenta, a produtividade marginal do capital reduz-se, e o investimento é reduzido, já que a lucratividade é proporcional à produtividade marginal do capital. Então ocorre um excesso de poupança, em relação ao investimento, o que faz com que a procura efectiva fique abaixo da oferta e assim o emprego se reduza para um ponto de equilíbrio onde a poupança e o investimento fiquem iguais. Como esse equilíbrio pode significar a ocorrência de desemprego involuntário em economias avançadas (onde a quantidade de capital acumulado seja grande e sua produtividade seja pequena), Keynes defendeu a tese de que o Estado deveria intervir na fase recessiva dos ciclos económicos com sua capacidade de imprimir moeda para aumentar a procura efectiva através de déficits do orçamento do Estado e assim manter o pleno emprego. É importante lembrar que Keynes nunca defendeu o carregamento de déficits de um ciclo económico para outro, nem muito menos operar orçamentos deficitários na fase expansiva dos ciclos.

Deve notar-se que, para o Estado aumentar a procura efectiva, deve gastar mais do que arrecada, porque a arrecadação de impostos reduz a procura efectiva, enquanto que os gastos aumentam a procura efectiva.

O ciclo de negócios segundo Keynes ocorre porque os empresários têm "impulsos animais" psicológicos que os impedem de investir a poupança dos consumidores, o que gera desemprego e reduz a procura efectiva novamente, e por sua vez causa uma crise económica. A crise, para terminar, deve ter uma intervenção estatal que aumente a procura efectiva através do aumento dos gastos públicos.

Cquote1.png Keynes assinalou a importância da procura agregada, e legitimou o recurso a déficits fiscais em momentos de recessão. No entanto, jamais defendeu déficits públicos crónicos. O seu pressuposto foi sempre o de que uma economia nacional equilibrada, do ponto de vista fiscal, poderia, por um breve período, sair do equilíbrio para restabelecer o nível de emprego [2]. Cquote2.png

O papel do Estado na economia, segundo Keynes

A mais importante Agenda do Estado não está relacionada com as actividades que os indivíduos particularmente já realizam, mas com as funções que estão fora do âmbito individual, aquelas decisões que ninguém adopta se o Estado não o faz.
Para o governo, o mais importante não é fazer coisas que os indivíduos já estão a fazer, e fazê-las um pouco melhor ou um pouco pior, mas fazer aquelas coisas que actualmente deixam de ser feitas. (John Maynard Keynes, The end of laissez-faire) [3]
A escolha não deve ser se o Estado deve ou não estar envolvido (na economia), mas como ele se envolve. Assim, a questão central não deve ser o tamanho do Estado mas as actividades e métodos do governo. Países com economias bem sucedidas têm governos que estão envolvidos num amplo espectro de actividades. (Joseph Stiglitz, More instruments and broader goals…) [4]

Estas duas citações,Stiglitz, que é considerado por muitos um neo-keneysiano, servem para desmistificar muitas das críticas feitas por políticos neoliberais aos ensinamentos de Keynes.

Keynes nunca defendeu a estatitização da economia, nos moldes em que foi feita na União Soviética. O que Keynes defendia, na década de 1930, e que hoje Stiglitz e os novos-desenvolvimentistas defendem é uma participação activa de um Estado enérgico nos segmentos da economia que, embora necessários para o bom desenvolvimento de um país, não interessam ou não podem ser atendidos pela inciativa privada.

Não se trata promover uma competição entre o Estado e o mercado, mas sim de obter uma adequada complementação ao mercado, que agindo sozinho não é capaz de resolver todos os problemas, conforme demonstraram Grenwald e Stiglitz [5] (1986), em busca de uma maior eficiência geral da Economia.

Não constitui uma dedução correta dos princípios da Economia que o auto-interesse esclarecido sempre actua a favor do interesse público.

A aguda intuição de Keynes, que o levou a recomendar a intervenção do Estado na economia, vem encontrando cada vez mais respaldo nas recentes descobertas da economia da informação, como demonstra o teorema de Greenwald-Stiglitz:

O efeito da influência de Stiglitz é tornar a Economia mais presumivelmente intervencionista do que Samuelson propunha. Samuelson considerava as falhas de mercado como "excepções" à regra geral dos mercados eficientes. Mas os teoremas de Greenwald-Stiglitz postulam serem as falhas de mercado a "norma", e estabelecem que "os governos quase sempre podem potencialmente melhorar a eficiência da alocação de recursos em relação ao livre mercado." E o teorema de Sappington-Stiglitz "estabelece que um governo 'ideal' poderia atingir um maior nível de eficiência administrando directamente uma empresa estatal do que privatizando-a." [6] (Stiglitz 1994, 179).[7]

Desenvolvimento das teorias keynesianas

Inspirados na obra de Keynes, inúmeros economistas desenvolveram, aperfeiçoaram e modernizaram a teoria keynesiana. Dentre eles vários foram galardoados com Prémios de Ciências Económicas.

Destacam-se:

Origens do novo desenvolvimentismo

O novo-desenvolvimentismo surge da visão de Keynes, adaptada aos tempos actuais por economistas keynesianos contemporâneos como Paul Davidson e Joseph Stiglitz, que vêem o Estado como sendo um complemento do mercado, e da visão cepalina neo-estruturalista que considera que a tardia industrialização latino-americana não foi capaz de resolver os problemas de desigualdades sociais na América Latina, e propõe uma estratégia de transformação produtiva com equidade social, que leve a um crescimento económico sustentável, com uma melhor distribuição do rendimento.[8]

Citações sobre Keynes

"É incrível o que Keynes pensou. Ele foi muito mais do que um economista. O que ele escreveu é muito mais relevante para a Economia do que tudo que fizeram depois (Antônio Delfim Netto) [9]
"Keynes por si só era um génio multi-facetado que se tornou proeminente no mundo da matemática, filosofia e literatura. Além disso, ele encontrava tempo para administrar uma grande companhia de seguros, para ser Conselheiro do Tesouro Britânico, para ajudar a dirigir o Banco da Inglaterra, para editar um mundialmente famoso jornal de Economia e para patrocinar espetáculos teatrais e de ballet. Ele também era um Economista que sabia ganhar dinheiro tanto para si como para a sua faculdade, o King's College de Cambridge." [10] (Paul A. Samuelson)
Keynes é ainda mais importante agora do que o foi há 50 anos. Não sei se os economistas, em geral, se tornarão keynesianos de novo, mas passei a levar muito a sério as questões de tipo keynesiano, se assim se pode dizer. É claro que Lord Keynes não era uma profeta sagrado. Ele pode ter colocado as perguntas certas, mas cabe a você, sempre, ter de encontrar as suas próprias respostas. (Paul Krugman) [1]

Ver também

Referências

  1. KEYNES, John Maynard. Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (General theory of employment, interest and money). Tradutor: CRUZ, Mário Ribeiro da. São Paulo: Editora Atlas, 1992. ISBN 9788522414574
  2. BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O Novo Desenvolvimentismo e a Ortodoxia Convencional. São Paulo: São Paulo em Perspectiva, v. 20, n. 3, p. 5-24, jul./set. 2006
  3. KEYNES, John Maynard. The end of laissez-faire. Amherst, New York: Prometheus Books, 2004. ISBN 1591022681
  4. ((en)) STIGLITZ, Joseph. More Instruments and Broader Goals: Moving Toward the Post-Washington Consensus. The 1998 WIDER Annual Lecture. Helsinki, Finlândia, 07/1/1998.
  5. GREENWALD, Bruce and STIGLITZ, Joseph E. 1986 Externalities in Economies with Imperfect Information and Incomplete Markets, Quarterly Journal of Economics, no. 90.
  6. SAPPINGTON, David E. M. e STIGLITZ, Joseph E. Privatization, Information and Incentives. Columbia University; National Bureau of Economic Research (NBER) June 1988; NBER Working Paper No. W2196
  7. BOETTKE, Peter J. What Went Wrong with Economics?, Critical Review Vol. 11, No. 1, P. 35. p. 58
  8. SICSÚ, João; PAULA, Luiz Fernando; e RENAUT, Michel. Por que um novo desenvolvimentismo ?. Jornal dos Economistas no. 186, janeiro de 2005, p. 3-5
  9. BELLUZZO, Luiz Gonazaga LIRIO, Sérgio. Receita de crescimento - Reflexões de Delfim Netto". Entrevista. São Paulo: Revista CartaCapital, no. 425, 27/12/2006.
  10. SAMUELSON, Paul A. Economics: An Introductory Analysis. International Student Edition, Tóquio: McGraw-Hill/Kogakusha Co, Ltd, 6ª edição, p.205

Bibliografia

Online

Em português
Em inglês

Publicações

Em Português
  • KEYNES, John Maynard. Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (General theory of employment, interest and money). Tradutor: CRUZ, Mário Ribeiro da. São Paulo: Editora Atlas, 1992. ISBN 9788522414574
  • SICSÚ, João; PAULA, Luiz Fernando; e RENAUT, Michel; organizadores. Novo-desenvolvimentismo: um projeto nacional de crescimento com eqüidade social. Barueri:Manole; Rio de Janeiro:Fundação Konrad Adenauer, 2005. ISBN 85-98416-04-5 (Manole)
  • STIGLITZ, Joseph E. e GREENWAL,Bruce. Rumo a um Novo Paradigma em Economia Monetária. Francis, 2004
Em inglês
  • GREENWALD, Bruce and STIGLITZ, Joseph E. Externalities in Economies with Imperfect Information and Incomplete Markets, Quarterly Journal of Economics, no. 90, 1986.


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