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Demonstração de resultados

Da Thinkfn

A Demonstração de Resultados ilustra como variou a situação patrimonial de uma empresa durante um período de tempo (um trimestre, um semestre, um ano), ou seja, de como decorreu a actividade da empresa.

Índice

Objectivo

A DR permite estabelecer comparações quantitativas relativamente ao passado, à concorrência directa, detectar eventuais desvios entre o desempenho esperado e o real e fazer projecções sobre o futuro desempenho da empresa.

Comparação do objectivo das diversas Demonstrações Financeiras

Balanço | Demonstração de resultados | Demonstração de fluxos de caixa

BalancoDRDCF.JPG

Conceitos fundamentais

A DR coloca em evidência os proveitos e os custos ocorridos ao longo de determinado período de tempo (trimestres, semestre ou ano) e o resultado é a diferença entre eles, sendo que:

  • Proveitos – Custos = Resultados

Se:

  • Proveitos > Custos = Resultado Positivo (Lucro)
  • Proveitos < Custos = Resultado Negativo (Prejuízo)

Características qualitativas

As características qualitativas definidas na estrutura conceptual da DR são:

  • Compreensibilidade;
  • Relevância;
  • Fiabilidade;
    • Completude;
    • Representação fidedigna;
    • Licitude;
    • Substância sobre a forma;
    • Neutralidade;
    • Prudência;
  • Comparabilidade

Composição da demonstração de resultados

Dividimos em três componentes:

Resultado Operacional (Operating Income) que é o resultado gerado pela actividade principal da empresa sendo apurado pela diferença entre os Proveitos Operacionais (vendas, prestação de serviços, outros proveitos operacionais) e os Custos Operacionais (compra de mercadorias e matérias-primas, salários e encargos, custos gerais de produção e amortização do imobilizado).

Tal que:

  • Resultado Operacional = Proveitos Operacionais – Custos Operacionais
Resultadooperacional.JPG

Resultado Financeiro evidência os lucros ou prejuízos decorrentes das decisões financeiras, quer no que concerne à aplicação de excedentes, quer no que toca ao financiamento das necessidades financeiras. É apurado pela diferente entre Custos e Perdas e Proveitos e Ganhos, ambos de natureza essencialmente financeira (juros suportados e obtidos, ganhos e perdas de empresa do grupo ou associadas, amortizações e rendimentos de imóveis, provisões e rendimentos de aplicações financeiras, diferenças de câmbio favoráveis e desfavoráveis, descontos de pronto pagamento obtidos e concedidos, etc).

Tal que:

  • Resultado Financeiro = Proveitos e Ganhos (natureza financeira) - Custos e Perdas (natureza financeira)
Resultadofinanceiro.JPG

Resultado Extraordinário diz respeito à diferença apurada entre Custos e Perdas e Proveitos e Ganhos, com respeito a valores meramente ocasionais ou eventuais. Exactamente por esse carácter pontual e inesperado interessa ser um resultado tratado em separado já que em regra é imprevisível.

Tal que:

  • Resultado Extraordinário = Proveitos e Ganhos (natureza extraordinária) - Custos e Perdas (natureza extraordinária)
Resultadoextraordinario.JPG

O Resultado Líquido (RL) é apurado pela soma algébrica dos três componentes, deduzida de impostos sobre rendimento (IRC).

DR dos resultados por natureza (POC)

A DR formal é a demonstração de resultados por natureza em que os custos e proveitos aparecem de acordo com a sua própria natureza, ou seja, o custo é imputado ao respectivo centro de custo (Matéria Prima; Mão de Obra Directa; Gastos Gerais de Fabrico; Custo de distribuição, etc).

DRnaturezapoc.JPG

DR dos resultados por funções (POC)

Na DR por funções os resultados são apurados de acordo com as funções empresariais (produção, comercial, administrativa, financeira, etc.).

As sociedades cotadas são obrigadas a incluir a demonstração de resultados por funções nos seus relatórios anuais conforme estipulado pelo art. 6º do Regulamento n.º 11/2000 da CMVM, relativo aos deveres de informação. O mesmo acontece com as entidades às quais é aplicável o POC.

DRfuncoespoc.JPG

Evidência neste esquema da DR por funções seis componentes (níveis):

  • Resultado Bruto
  • Resultados Operacionais
  • Resultados Correntes
  • Resultados Correntes Após Impostos
  • Resultados Líquidos
  • Resultados por acção
Drfuncoespocesquema.JPG

Nota: Resultados líquidos por acção = (Resultado líquido – Dividendos preferenciais) / Média ponderada das acções em circulação durante o período observado.

DR dos gastos por naturezas (IAS)

De acordo com o parágrafo 81 da IAS 1 (International Accounting Standards) ,a DR dos gastos por natureza tem obrigatoriamente de relevar os seguintes elementos:

  • réditos;
  • custos financeiros;
  • participação nos resultados de associadas e de empreendimentos conjuntos contabilizados pelo método da equivalência patrimonial;
  • gasto de imposto;
  • uma quantia única composta pelo total i) dos resultados após os impostos de unidades operacionais e descontinuadas (ii) do ganho ou perda após impostos reconhecido na mensuração pelo justo valor menos os custos de vender quer na alienação dos activos, quer do(s) grupo(s) para alienação que constituem a unidade operacional descontinuada;
  • resultados.
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DR dos gastos por funções (IAS)

DRfuncoesias.JPG

DR simplificada

DRsimplificadapt.JPG

DR simplificada em Inglês

DRsimplificadaen.JPG

Uso da Demonstração de resultados

Numa Demonstração de Resultados mostram-se os proveitos e custos incorridos pela empresa durante o período em análise. O que a empresa vendeu, menos o que lhe custou aquilo que vendeu, menos os custos de manter a própria empresa em funcionamento, menos a amortização dos equipamentos usados na empresa, menos os custos de financiamento da empresa, menos os impostos que teve que pagar sobre os rendimentos assim gerados. O que sobra, é o resultado líquido (o lucro).

Desde logo é de notar que estes proveitos e custos geram-se no momento em que se dão os factos que os originam, e não necessariamente na data em que a empresa recebe ou paga o dinheiro a eles relativo. Essa é, aliás, a grande diferença entre a Demonstração de Resultados e o Mapa de Cash Flows.

Assim, quando uma empresa acorda vender algo a um cliente, imediatamente regista a venda e o custo daquilo que vendeu na sua conta de resultados, sendo que se o pagamento não for a pronto ela ficará com uma dívida do cliente no seu Balanço.

Da mesma forma, todos os meses a empresa reconhecerá parte do custo do subsídio de férias e natal dos seus empregados, mesmo sabendo-se que só os pagará mais tarde.

É à Demonstração de Resultados que iremos buscar as variáveis que nos ajudam a determinar se uma empresa está “cara” ou “barata” face à sua actividade (pois a Demonstração de Resultados espelha a actividade da empresa num dado período). Coisas como os Resultados Líquidos (expurgados de Resultados Extraordinários) usados para calcular o PER, ou o EBITDA/EBIT/Vendas usados para calcular EV/EBITDA, EV/EBIT, EV/Sales (Ver Enterprise value).

Para se compreender o­nde aparecem estas variáveis, abaixo está a disposição normal para uma Demonstração de Resultados:

DRpt.png             DRen.png


Em certa medida, os resultados gerados por uma empresa são indissociáveis da forma como depois são aplicados, e essa forma afere-se pelo impacto dos resultados nas rúbricas do Balanço. Para o­nde é que vai o dinheiro que a empresa ganha?

Se vai para coisas que se podem desvalorizar (equipamentos, existências) ou para dar crédito a terceiros (clientes), de pouco servirá aos accionistas (excepto na medida em que permite a continuação e expansão da actividade). Se paga endividamento e em algum ponto acumula liquidez, isso mais tarde ou mais cedo poderá parar no bolso dos accionistas. Se está obrigada a investir constantemente em equipamento só para continuar a funcionar e ser competitiva, isso também pouco ajudará os accionistas. Tem sempre que existir, no presente ou no futuro, a perspectiva de que os (bons) resultados da empresa se traduzam em dinheiro que será liberto para os seus accionistas, ou então pouco valor a empresa terá sejam quais forem os resultados apresentados.

Por outro lado, não raras vezes os resultados bons de uma empresa podem ser obscurecidos por resultados extraordinários negativos, ou por amortizações elevadas de investimentos elevados feitos no passado e que não se espera se repitam no futuro.

Ver também