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Acção

Da Thinkfn


Acção da Companhia do Grão-Pará e Maranhão (1755), uma das primeiras em Portugal. Segundo o Museu do Papel Moeda, há quem defenda que foram consideradas notas, dado terem circulado de mão em mão como forma de pagamento.
Imagem: Museu do Papel Moeda.
Acção da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, emitida em 1860. Estas acções passaram a ser cotadas na Bolsa de Paris em 1864.
Imagem: Comboios de Portugal
Acção da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, ilustrada por Rafael Bordalo Pinheiro, emitida a 30 de Junho de 1881 em nome de M. J. da Fonseca.
Imagem: Revista Numisma nº60
Título de cinco acções do Jardim Zoológico e D'Aclimação em Portugal, Primeira Série, emitida a 15 de Maio de 1884 em nome de Eduardo Coelho. Estas acções têm a particularidade de terem sido impressas num papel muito fino, “tipo seda”.
Imagem: Revista Numisma nº60
Acção do Jardim Zoológico e D'Aclimação em Portugal, Primeira Série, emitida a 15 de Maio de 1884 em nome do Conde Henry Burnay, director da instituição entre 1883 e 1885.
Imagem: Revista Numisma nº60

Uma acção é um título financeiro que representa parte do capital de uma sociedade anónima, dando ao seu proprietário o direito de partilhar dos resultados dessa empresa e dando-lhe poderes para intervir no governo da sociedade (via o seu direito de voto).

O valor de uma acção vem dos resultados que a empresa gera e se espera que venha a gerar, mais o valor atribuído ao poder de influenciar o destino da empresa, via controlo da maioria dos direitos de voto.

As acções podem ser transaccionadas numa bolsa de valores em que estejam cotadas, ou ao balcão (OTC) se não estiverem cotadas em bolsa.

Índice

Direitos da acção

A propriedade de acções confere vários direitos, nomeadamente:

  • Direito de assistência e voto nas Assembleias Gerais, sendo o voto proporcional à quantidade e classe das acções detidas (podendo existir diferentes classes com diferentes direitos de voto);
  • Direito à distribuição de dividendos se para tal existirem resultados e essa for a decisão da sociedade. Os dividendos serão distribuidos na proporção da quantidade de acções detida, e da classe a que estas pertençam (podendo existir diferentes classes com diferentes direitos em matéria de dividendos);
  • Direito à quota parte da situação líquida apurada no caso de liquidação da sociedade, em função da quantidade de acções detidas, e respectiva classe.

Algumas classificações possíveis

Quanto à titularidade:

  • Acção nominativa - está registada no nome de um titular.
  • Acção ao portador - pertence a quem a detiver.

Quanto aos direitos:

  • Acção ordinária - possui todos os direitos comuns de uma acção, incluindo o direito de voto.
  • Acção preferencial - possui um conjunto de direitos alterado, nomeadamente poderá ter direito preferencial a dividendo, o dividendo pode ser pré-estabelecido, poderá eventualmente também possuir direitos restringidos (caso do direito de voto, por vezes ausente).

Quanto ao mercado onde cotam:

  • Acção cotada - a acção cota num mercado organizado.
  • Acção não cotada - a acção não cota num mercado organizado, apenas é possível transaccioná-la ao balcão (OTC).

Quanto à emissão:

  • Acção nova - resulta de uma emissão recente (via aumento de capital por subscrição, aumento por incorporação de reservas, fusão por troca de acções, etc). Este tipo de acção tende a existir enquanto a emissão não for fungível com as acções antigas, por ter um qualquer direito alterado (por exemplo, o direito integral a dividendos do exercício).
  • Acção velha - as acções existentes antes do evento corporativo que dá origem às acções novas, que continuam a existir com todos os direitos inalterados.

A acção como produto

Crystal Clear app xmag.png Ver artigo principal: O que é uma acção?.

O investidor, compra acções na expectativa de que a actividade da empresa valorize o seu investimento. Mas o mercado de capitais obtém rendimentos das operações financeiras que envolvem as acções, e não da actividade da empresa. Em resultado, as instituições à volta do mercado encaram as acções como um produto, que é necessário promover e distribuir para gerar transacções.

As redes de distribuição são as grandes casas como a Goldman Sachs, Morgan Stanley, JP Morgan, etc, nas quais todos os dias os vendedores vão bater à porta de potenciais clientes. Os vendedores são apoiados pelo research, que gera as razões para se comprar e vender acções com base em acontecimentos de curto prazo.

O ponto fundamental é que os vendedores “vendem” ideias para as quais sabem que existe receptividade no mercado—não aquilo que eventualmente faça mais sentido comprar. É por isso que a seguir a um rally gigantesco da energia, se vêem tantos IPOs (OPVs) de empresas energéticas bem como o lançamento de fundos temáticos de energias e energias alternativas. É por isso que após um rally gigantesco de tecnológicas, o mesmo acontece mas os IPOs são de tecnológicas e os fundos temáticos são de tecnologia.

As primeiras acções em Portugal

As primeiras acções em Portugal surgiram no século XVIII. Foram emitidas pelas Companhias régias criadas pelo Marquês de Pombal, para desenvolvimento da economia. As companhias foram a Companhia do Comércio da Ásia (1753), a Companhia do Grão-Pará e Maranhão (1755), a Companhia de Pesca da Baleia e a Companhia das Vinhas do Alto Douro (1756) e a Companhia de Pernambuco e Paraíba (1759).[1]

O Museu do Papel Moeda, no Porto, tem em exposição acções variadas de companhias privadas, do Banco de Portugal e de bancos privados, entre outras. As do século XIX e dos primeiros anos do século XX são, devido às ilustrações, verdadeiras obras de arte. As mais importantes e raras são as da época do Marquês de Pombal e as que Rafael Bordalo Pinheiro desenhou para a Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha.

Referências

  1. Acções do Século XVIII, XIX e XX (em português). Museu do Papel Moeda (23 Abr 2008).

Ver também