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Autor Tópico: Redistribuição de rendimento  (Lida 56091 vezes)

vbm

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Re: Redistribuição de rendimento
« Responder #340 em: 2018-10-21 20:51:55 »
Uma relação fundamental em economia
é a do dinheiro com a produção de bens e serviços,
e o respectivo comércio, – compra, venda –,
oferta e procura ao preço corrente em vigor.

Nos livros aprendemos a equação simples, quase 'einsteiniana', – -:) –,
que relaciona a circulação da moeda com a das transações de bens e serviços:

(1)    MV = PT

O stock de moeda – notas de banco, espécies metálicas, depósitos bancários –, (M), multiplicado pela velocidade de circulação da moeda, (V), i.e., o número de vezes que o stock de dinheiro roda nas transações da economia durante um período de tempo – ano, mês, semana, dia, hora – iguala o volume de transações (T) multiplicado pelo nível médio de preços (P), i.e., o valor total das compras / vendas de bens e serviços de uma economia em dado período de tempo.

Como estatisticamente se acumulam estes agregados, teria curiosidade de saber – cheguei, em novo, a desejar entrar nessa carreira profissional de estatístico, mas ninguém liga nenhuma ao que um jovem deseja ou não, e portanto não sei como se trabalham estes agregados macroeconómicos e monetários.

Sei, contudo, – ensinam-nos no curso de economia –, que o produto social durante um ano, o PIB(pm), o Produto Interno Bruto a preços de mercado, é a quantidade, (q), de bens e serviços produzidos nesse ano, avaliados ao preço médio de venda, (p).

(2)    PIB(pm) = p.q

Ora, este valor do produto anual iguala o rendimento, (y), de quem o produz, a saber o salario, (s), dos que trabalharam para a sua produção, –  de que vivem mais a família –, e o rendimento proporcionado pelo excedente do preço de venda dos bens e serviços sobre o salário pago a produzi-los, rendimento que podemos denominar de lucro, (l), o qual é distribuido pelos detentores dos meios de produção nesta utilizados, – rendas, juros, lucros –, assim como pelo Estado nos impostos directos (incidente sobre salários e lucros) e indirectos (cobrados no preço de mercado das transações) ou simplesmente tributados por uma taxa sobre o valor do património de que cada cidadão é proprietário, ceda-o ou não ao processo produtivo (portanto, puro ónus, ou expropriação parcial, de fortuna pessoal).

(3)    y = p.q = s + l,

ou,

(3’)    l = y – s,

Pressupondo, globalmente, y > s,  – não sendo o caso, só pode ser s = y, com l = 0, o que implica a colectivização da totalidade dos meios de produção, a abolição da economia de mercado, e o planeamento central de toda a produção por assalariados, eles próprios nomenklatura partidária dirigente do Estado –, teremos

(4)    y/s = m > 1

ou, 

(4’)    y = m.s

Ora, posto que o rendimento, y, é a monetarização do produto social, PIB(pm), eles se igualam em cada período, pelo que temos,

(5)    PIB(pm) = y = p.q = m.s

Não sei como os estatísticos calculam o índice de preços, p, dos bens e serviços transacionados, mas por certo partem da cifra de negócios, do total de vendas da indústria dos bens de consumo e de investimento concluídos, acabados e vendidos no ano, e a dividem pelo índice de preços de alguma amostragem representativa desse conjunto de bens, de forma a alcançarem o rácio representativo do produto quantitativo, real, q, dos bens e serviços produzidos num ano-base a preços constantes, o que lhes permitirá comparar números reais de produção de ano para ano.

Também, não sei explicitar a relação que existe entre o nível geral de preços, P, das transacções comerciais totais da equação monetária (1), com os índice de preços, p, das amostragens da indústria, mas é evidente que ambos variam directamente com a massa monetária, M, injectada na economia, e com a velocidade, V, da circulação da moeda, causando tanto menor poder de compra de uma soma dada de dinheiro, ou de cada nível de rendimento salarial, ou global e colectivo, quanto maior for o nível de preços da produção.

A equação (5),      y = p.q = m.s    liga as variáveis que queremos observar e comparar no tempo.

Assim, partindo da base dada num ano, pela equação (5), teremos no ano seguinte,

(6)    (y + Dy)  = (p + Dp).(q + Dq)

ou   (y + Dy)/y = (p + Dp).(q + Dq)/p.q

ou   (1 + Dy/y) = (1 + Dp/p).(1 + Dq/q)

ou, com Dy/y = dy; Dp/p = dp; Dq/q=dq

(6’)   (1+dy) = (1+dp).(1+dq)

Mutatis mutandi, para a mesma equação de rendimento (5), y = m.s, temos

(7)    (y + Dy)  = (m + Dm).(s + Ds)

ou   (y + Dy)/y  = (m + Dm).(s + Ds)/m.s   

ou   (1 + Dy/y) =  (1 + Dm/m).(1 + Ds/s)

ou,     com Dy/y = dy; Dm/m = dm; Ds/s=ds

(7’)    (1+dy) = (1+dm).(1+ds)

Podemos então examinar o crescimento económico de um ano para outro pelo balanceamento das equações (6’) e (7’):

(8)   (1+dp).(1+dq) = (1+dm).(1+ds)

Não sei qual seja a proporção dos salários líquidos no PIB(pm), mas é possível que ronde 1/4  ou 1/3 do produto social, no máximo 2/5 porventura... (Não sei, mas gostava de saber),

De qualquer modo, no livro de Ludwig Erhard, ex-chanceler da República Federal Alemã e ministro de Economia de Adenauer, nos anos quarenta e cinquenta, Bem-estar para Todos, – que releio ao cabo de muitos anos –, ele pugna pela estabilidade monetária e impõe estrita vigilância da relação entre os aumentos de preços, (1+dp), e o aumento do rendimento colectivo que exceda o aumento da produtividade

(8’)    (1+dp) = (1+dm).[(1+ds)/(1+dq)]

ou seja, os aumentos de preços – o 1º membro da equação –, que equivale a uma redução do poder de compra, são da responsabilidade daqueles que os provocam sejam eles os patrões – pela concorrência monopolista ou acordos de cartéis –; os operários – via aumento de salários que excedam o da produtividade –; ou o Governo e os deputados – seja pela tributação directa que determina os rendimentos deduzidos de impostos retidos na fonte, seja pelo imposto sobre o valor acrescentado na produção de cada empresa.

Assim, na Alemanha Ocidental, no septénio (t) 1955-61, a variação percentual (%) ocorrida ano a ano nos salários (s), rendimento colectivo (y), e produtividade (q) foi a das seguintes séries:

  t   1955        56        57         58       59        60        61
ds    –         +8,0     +5,0     +6,6    +5,1    +8,9    +10,1   
dy     –       +11,8   +12,2     +8,2    +6,3    +9,3    +10,8
dq    –         +1,4     +2,1     +2,7    +6,8    +6,4      +2,9

ou, em valores acumulados,


      t                    1955      56        57         58        59       60       61
(1+ds)^t              1,000    1,080    1,134   1,209   1,270   1,335    1,470
(1+dy)^t             1,000     1,118    1,254   1,357   1,443   1,577    1,747
(1+dq)^t             1,000     1,014    1,035   1,063   1,136   1,208    1,243


Destes dados, podemos retirar a evolução dos preços no septénio,

[(1+dy)/(1+dq)]^t = (1+dp)^t

(1,747/1,243) = (1+dp)^7
1,405 = (1+dp)^7
1,405 ^(1/7) = 1, 049

ou seja, uma inflação de 4,9% ao ano,

cuja responsabilidade se decompõe na dos sindicatos pelo excedente ocorrido no aumento de salários em relação ao aumento da produtividade

(1+ds)^7 = 1,470             
1,470 ^(1/7) = 1,057

(1+dq)^7 = 1,243
1,243 ^(1/7) = 1, 032,

ou seja, em média, no septénio, os salários nominais cresceram 5,7% ao ano e não deveriam ter excedido 3,2% ao ano, que foi a média do aumento de produtividade do trabalho; pela diferença, 2,4 pontos percentuais, contribuíram para a inflação e consequente perda de poder de compra;

quanto aos patrões e ao Estado (o governo, pela autoridade tributária, e os deputados, pelas leis e orçamentos anuais aprovados) a sua quota de responsabilidade na inflação é a da contribuição que compuseram à dos assalariados, no aumento final dos preços, a saber
   
(1+dp)^t = (1+dm)^t * [(1+ds)/(1+dq)]^t    (Vide 8’)

(1+dp)^7 = 1,405 = (1+dm)^7 * (1,470/1,243) = (1+dm)^7 * 1,183

1,405/1,183 = 1,188 = (1+dm)^7

1,188^(1/7) = 1, 025

ou seja, em média, no septénio, os patrões e o fisco elevaram os preços de mercado em 2,5% ao ano, a qual composta com a inflação salarial não justificada pela produtividade, 2,4% integram a inflação anual de 1, 025*1,024 = 1,049, i.e., 4,9% ao ano.


Bem, não sei propriamente se não haverá erro nestes raciocínios, – julgo que não –, mas o que eu gostava era de ver as contas nacionais reduzidas a um jogo aritmético simples das macrovariáveis económicas fundamentais: preço, produto real, salário, sobresalário ou excedente económico global e sua ulterior repartição pelas rendas monopolistas da propriedade fundiária, lucro intramarginal das empresas mais produtivas em cada ramo de actividade, salários líquidos de impostos deduzidos na fonte, imposto sobre o valor acrescentado, lucro bruto de reintegrações do capital técnico, etc.

É verdade, que para além da análise da interferência monetária na economia real através dos preços e dos impostos, há outra análise fundamental que equacionará o aforro, i.e., o rendimento não gasto em bens de consumo, o qual, pela oferta e procura de fundos para investimento, equacionará o investimento em meios de produção com o respectivo financiamento pelos capitais de aforro e de crédito prudencial disponível. Este é um aspecto dinâmico da análise económico-financeira pois, determina em que ramo de actividade investir prioritariamente pelo critério daquele que proporcione a taxa de retorno de cash-flow (lucro bruto de amortizações depois de impostos) mais elevada em comparação com a taxa de juro corrente no mercado de empréstimos de capital.
« Última modificação: 2018-10-22 15:41:42 por vbm »

vbm

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Re: Redistribuição de rendimento
« Responder #341 em: 2018-10-24 06:06:22 »
Quem viaje sempre se surpreenderá com a diversidade de custo de vida e de nível de vida de país para país. Faz espécie, dá que pensar, e até sonhar, ir viver para onde o dinheiro tem grande poder de compra para lá do que se tem de graça simplesmente, face ao estádio primitivo da exploração de tudo o que esteja ao alcance de ser mudado para render!

Descobri um procedimento simples de distinguir nível de vida de custo de vida. Simples!

Custo de vida pode estimar-se em cerca de 6/5 do salário mínimo de um país, caso exista, p.e., entre nós uns € 720,00/mês, brutos, uns € 10 080,00/ano.

Nível de vida, é um conceito diferente, diria, podemos estimá-lo pelo rendimento per capita de cada país, entre nós, suponho, cerca de € 19 000,00 /ano [€ 190 000 000 000/10 000 000].

Quanto maior a disparidade de valores entre o nível e o custo de vida, maior a quantidade e a qualidade de consumo um país proporciona aos seus cidadãos, claro!, dependente da situação individual de cada um.

Se estiver errado, ou houver ideia mais fina dos dois conceitos, fico grato por a conhecer (se a compreender!)
« Última modificação: 2018-10-24 06:08:50 por vbm »

jfrcr

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Re: Redistribuição de rendimento
« Responder #342 em: 2018-10-24 13:00:26 »
Nao estarás a tentar reinventar o GDP at power purchasing parity ?
The ultimate result of shielding men from the effects of folly, is to fill the world with fools.

vbm

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Re: Redistribuição de rendimento
« Responder #343 em: 2018-10-24 15:15:18 »
Segui a ligação, e nível de vida é isso mesmo.

Mas a ideia só se apreende rigorosamente
comparando esse rendimento
com o custo de vida.

Quanto maior a diferença, maior e
melhor é a qualidade de vida.









D. Antunes

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Re: Redistribuição de rendimento
« Responder #344 em: 2018-10-24 19:19:06 »
Quem viaje sempre se surpreenderá com a diversidade de custo de vida e de nível de vida de país para país. Faz espécie, dá que pensar, e até sonhar, ir viver para onde o dinheiro tem grande poder de compra para lá do que se tem de graça simplesmente, face ao estádio primitivo da exploração de tudo o que esteja ao alcance de ser mudado para render!

Descobri um procedimento simples de distinguir nível de vida de custo de vida. Simples!

Custo de vida pode estimar-se em cerca de 6/5 do salário mínimo de um país, caso exista, p.e., entre nós uns € 720,00/mês, brutos, uns € 10 080,00/ano.

Nível de vida, é um conceito diferente, diria, podemos estimá-lo pelo rendimento per capita de cada país, entre nós, suponho, cerca de € 19 000,00 /ano [€ 190 000 000 000/10 000 000].

Quanto maior a disparidade de valores entre o nível e o custo de vida, maior a quantidade e a qualidade de consumo um país proporciona aos seus cidadãos, claro!, dependente da situação individual de cada um.

Se estiver errado, ou houver ideia mais fina dos dois conceitos, fico grato por a conhecer (se a compreender!)

Segundo o teu conceito, o ideal seria então que o salário mínimo fosse pequeno relativamente rendimento per capita. Defenderias que o salário mínimo fosse bem baixo.
“Price is what you pay. Value is what you get.”
“In the short run the market is a voting machine. In the long run, it’s a weighting machine."
Warren Buffett

“O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que aquele que têm."
René Descartes

vbm

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Re: Redistribuição de rendimento
« Responder #345 em: 2018-10-24 20:11:23 »
Não se trata de um conceito. Expliquei-o. Uma habilidade empírica para perceber como as coisas variam de país para país, diversidade que sempre me espantou, dado sem nada fazer via aumentado ou diminuído o poder de compra do meu dinheiro e rendimento, qual Gulliver em Lilliput, em país de micro ou macro habitantes! Por outro lado, o leque de rendimento entre PIBpm per capita e o salário mínimo - ridículo supor sequer que o salário dependa de decisão política, posto que é inquebrantável a lei de bronze dos salários, a sua estreita e estrita correspondência com o índice de preços do custo de vida, por definição assalariado não é escravo, logo salário é expressão do poder de compra que necessita para viver mais sua família -, justamente é um indicador médio, expressivo da produtividade do trabalho e próprio de uma meritocracia. Nada disso implica compromisso com monopólios abrigados da concorrência interna e externa no ramo de actividade a que se acantonam! Portanto, o meu ideal é o do mérito remunerado, a produtividade pilotando o crescimento económico, e a justiça social garantindo que todo aquele que trabalha não empobrece a trabalhar, antes melhora a sua vida segundo o mérito do seu esforço e talento, incluindo a lucidez de deitar abaixo governos que não prestam.

vbm

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Re: Redistribuição de rendimento
« Responder #346 em: 2018-10-26 00:51:51 »
«Só um aldrabão dá mais do que tem.»

Ludwig Erhard