 A Cimeira da Esperança ou a Opinião Contrária Com os epítetos de fracasso, naufrágio e desagregação, os acomodados Europeístas (com o Presidente em fim de exercício Jean-Claude Juncker e Durão Barroso à cabeça) carimbaram a Cimeira ontem concluída. No artigo “A Quadratura da Europa e o Rectângulo Vicioso” bem como noutros comentários no Fórum de Bolsa, tenho vindo a alertar para o caminho cada vez mais divergente em relação aos EEUU, duma Europa cujo motor se convencionou ser a Alemanha (de longe o maior contribuinte para os fundos comunitários) insistindo esta na manutenção de indústrias do século passado (por pressões do forte sindicato dos metalúrgicos, o IG-Metall). Depois vinha o famoso eixo Paris-Bona, com os franceses, desesperadamente, a protegerem uma agricultura sem competitividade possível, mas exigindo salários de luxo. Em ambos os casos o curto ciclo eleitoral empurrou os governos para balões de oxigénio, fugindo às necessárias medidas estruturais. Porque nunca na Alemanha alguém chegou ao poder sem o apoio da IG-Metall nem em França sem o apoio da Confederação dos Agricultores. O orçamento proposto para 2007-2013 agravaria ainda mais o fosso para os EEUU. Poderia fazer uma lista extensa comprovando isso, mas seria enfadonha e extravasando o âmbito deste site. Demasiados números dissimulando os verdadeiros propósitos. Mas penso que basta referir que, se este orçamento fosse aprovado, em 2013 a Europa gastaria na Agricultura SETE vezes mais do que em Educação e R&D !!! Tony Blair, talvez o único Estadista da Europa do Século XXI, teve a frontalidade de dizer: o Rei vai nu. Especialista em timings, escolheu o momento certo: dentro de duas semanas é o Presidente em exercício. Os quatro países mais bem governados da Europa já se lhe juntaram: Finlândia, Espanha, Suécia e Holanda. Alguns dos novos 10 seguirão o exemplo, vão querer estar com os melhores. São cinco países que fizeram as reformas certas com coragem e lucidez. Pela primeira vez a Europa poderá ser liderada pela filosofia da eficácia. Por isso, para mim, esta foi a Cimeira da Esperança. Caminho difícil, sem dúvida: a Europa nunca se federalizou (no sentido de haver um poder centralizado) sem ser pela força das armas, desde os Romanos até Hitler, passando por Napoleão. Comentários
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