Sinais dos Tempos Imprimir E-mail
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Sinais dos Tempos

(Este artigo foi publicado o­ntem, mas perdeu-se devido ao ataque dos hackers, e à reposição de um Backup do site do dia anterior)

 

Sempre que o mercado fica demasiado eufórico, como aconteceu no final do ano passado (2004), começam a acontecer coisas engraçadas.

A euforia do ano transacto foi muito semelhante ao que se passou em 1999 com as tecnológicas, só que desta vez caiu genericamente sobre as smallcaps (pequenas capitalizações).

O tema era quase sempre o mesmo, preços baixos, floats baixos ou capitalizações baixas atraiam os especuladores em massa, essa atracção produzia “breakouts”, e isso atraia AINDA mais especuladores.

No meio disto tudo, perdeu-se a racionalidade. E depois acabam por acontecer coisas como o que se passou em 31 de Dezembro de 2004, com TICCR.

TICCR estava a $0.10, e subiu com algum volume para $0.20. Aí, dado o volume e a subida já substancial, os especuladores entraram em força no possível breakout, e em horas a dita chegou a $0.70.

Nada de mais, diríamos, apenas mais uma especulação num qualquer papel. Mas aí é que aparece o surreal deste cenário. TICCR não era um papel, e sim um direito de subscrição, sendo que 3 TICCR davam direito a subscrever 1 TICC a 97.5% da média ponderada a que TICC cotasse até 27 de Janeiro de 2005. E a TICC nem sequer estava a mexer muito, fazendo com que essa média x 97.5% fosse cerca de $14.6 para um papel que transaccionava a $15.5 no seu máximo.

Ou seja, este direito de subscrição, por via da especulação que o tratou como um qualquer papel especulativo, passou a transaccionar a um prémio substancial para a acção que permitia subscrever.

Embora os direitos de subscrição sejam na prática opções e até mereçam um valor tempo que raramente alcançam, esta situação é sintomática – só acontece - num mercado sobreaquecido. Aliás, a única outra vez que vi isto acontecer foi em Portugal com um aumento de capital de BCP em 1998, com este acima de 6 EUR/Acção. Seguiu-se uma queda brutal tanto para BCP como para o mercado.

Não estou a dizer que agora se passe o mesmo, mas este tipo de fenómenos é sintomático.

Entretanto, existe um paralelo entre o que se tem passado em finais 2004/início de 2005 e o que se passou em 1999/2000, está em que em 1999 as tecnológicas subiram verticalmente do meio de Outubro até ao último dia do ano, depois fizeram um “gap up” no primeiro dia de 2000, e passaram 4 dias a cair. Pois bem, em 2004 as pequenas capitalizações (Russell 2000)tomaram o lugar das tecnológicas, mas tudo o resto tem sido exactamente igual: subida vertical de meio de Outubro até ao final do ano, “gap up” no primeiro dia de 2005, e descida desde então. Se a analogia com 2000 funcionar, esta queda deverá ter o seu último dia amanhã (ou seja, hoje).

Curiosamente, a Europa desta vez pouco corrigiu.

  

Até à próxima. O meu Mail é . Agradeço informações e perguntas interessantes. Nunca se esqueçam de ler os artigos que estão no histórico, não olhem só para o último.

 

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