Posições Curtas - Implicações Imprimir E-mail
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(Artigo relativo à realidade nos EUA)

Uma coisa relativamente pouco conhecida no mercado, é a forma como funciona a tomada de posições curtas, e a implicação que a possibilidade de se abrirem posições curtas tem no mercado.

Basicamente, uma posição curta é assumida quando alguém vende um titulo que não possui em carteira, sendo esse titulo emprestado por um terceiro que o possui na carteira para que se dê a liquidação da venda. Obviamente, quem assume a posição curta fica na obrigação de devolver o título que pediu emprestado, pelo que mais tarde ou mais cedo terá que o ir comprar ao mercado para o devolver ao seu justo dono.

Quando alguém assume uma posição curta, passa a ganhar com a queda desse activo, e a perder com a sua subida. O seu ganho máximo é o valor do activo que vendeu (se este caísse para zero, por exemplo falindo), e a sua perda máxima é infinita.

Tudo isto é bastante simples. O que já não é tão simples, é um “efeito secundário” de existir a possibilidade de se abrirem posições curtas.

Tal como a concessão de empréstimos por parte dos bancos cria moeda, a abertura de posições curtas por parte de especuladores cria acções!

Por exemplo, se uma empresa tiver o seu capital denominado por 1 000 000 de acções, e alguém vender curto 500 000, passam a existir no mercado 1 500 000 acções dessa empresa, para todos os efeitos.

Isto tem implicações a diversos níveis:

 

Nos dividendos

Como obviamente a empresa só paga dividendos sobre as acções por si emitidas, quem abre uma posição curta tem que pagar dividendos sobre essa posição curta, de forma a que todas as pessoas que possuem posições longas no título recebam dividendos.

 

Nos direitos de voto

Aqui, o problema é mais complicado. Existem mais posições longas no título, do que acções emitidas, pelo que teoricamente podem existir mais pessoas a querer votar os seus títulos em assembleia geral, do que os votos admissíveis. Como é que isto é resolvido? Todos podem votar! Os votos de quem não votar são realocados, e se demasiadas pessoas votarem, são “pro rated”.

 

No valor da acção

Se existe procura para 1 500 000 acções e apenas 1 000 000 existem, o preço será um, se existe procura para 1 500 000 acções e se podem produzir 500 000 adicionais, ficando com 1 500 000, o preço será mais baixo. Logo, a possibilidade de criar acções baixa o preço para todos os investidores, estejam eles a emprestar as suas acções ou não.

 

Conclusão

A possibilidade de se vender curto tem muitas vantagens, como a liquidez que acrescenta ao mercado, a possibilidade de diminuir a volatilidade por desequilíbrios pontuais entre a procura e oferta, etc.

No entanto, a forma como esta possibilidade está implementada é fortemente deficiente, pois em caso algum deveria ser possível criar acções.

Ou seja, a possibilidade de se estar curto numa acção deveria ser análoga à possibilidade de se estar curto num mercado: via um contrato bilateral entre duas partes, um futuro.

 

Artigo interessante sobre o tema

O artigo seguinte é um interessante paper académico sobre este tema:

http://home.sandiego.edu/~kcole/martin%20and%20partnoy%20article.doc

 

 

Comentários

Existe no fórum o seguinte tópico destinado a comentar este artigo:

http://www.thinkfn.com/forum/viewtopic.php?t=2760 

 

Até à próxima. O meu Mail é . Agradeço informações e perguntas interessantes. Nunca se esqueçam de ler os artigos que estão no histórico, não olhem só para o último.

 

Disclaimer: Este comentário é um artigo de opinião e nunca uma recomendação de compra ou venda. Alerta-se ainda que a compra ou venda é da responsabilidade do investidor bem como o lucro ou perda daí existente. O Autor pode ter, e provavelmente tem, posições nos títulos referidos neste artigo. Em caso de dúvidas, deverá o investidor procurar um intermediário financeiro, a Euronext, ou a CMVM.

 

 

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