Comentário - Resultados CIN 3ºT 2004 Imprimir E-mail
ImageComentário aos resultados do 3º Trim. de 2004 da CIN:

Resultados liquídos dos 3 primeiros trimestres de 2004, já divulgados, e previsão para o 4º. Trim. e para todo o ano:

1º. Trim.: 0.686M€
2º. Trim.: 3.764M€
3º. Trim.: 4.328M€
4º. Trim.(P): 2.300M€
2004(P): 11.078M€

À cotação actual (5.35€) o PER de 2004 da CIN (de acordo com a minha previsão de resultados) será de 11.7.

Comentário:

A CIN apresentou resultados ligeiramente inferiores ao que eu esperava no 3º trimestre, principalmente devido a 3 factores:

1) O factor mais relevante foi o valor dos encargos extraordinários relacionados com a construção de um novo armazem central em Portugal e com a redução de trabalhadores em espanha, ligada à troca de uma fábrica antiga por uma nova.

2) O segundo factor relaciona-se com as dificuldades porque tem passado o mercado de construção português, que ocasionou uma quebra nas vendas do segmento de "tintas decorativas", um dos mais importantes para a empresa.

3) O terceiro factor foi um crescimento importante nos custos operacionais, e em especial nos custos salariais (com um crescimento superior a 8% numa base anual). Este aspecto parece-me o mais negativo, pelo que significa em relação ao rumo recente da gestão da CIN.

Em termos globais, a CIN continua a parecer-me uma das melhores opções de investimento no mercado acionista português, embora os resultados do 3º Trim. de 2004 tenham sido para mim uma ligeira desilusão.

As reservas que tenho em relação ao futuro da empresa relacionan-se (1) com o andamento da economia portuguesa (e em menor grau, com o andamento da economia espanhola) e (2) com a aparente continuação do rumo demonstrado pela administração/gestão de retribuir cada vez melhor os trabalhadores e de dar pouca atenção relativa aos accionistas.

Este segundo aspecto é algo crítico, pois a administração é assumida em grande medida pelos maiores accionistas, o que significa que, para eles, uma melhor retribuição salarial compensa os menores ganhos como accionistas. Isso, no entanto, não é verdade para os pequenos accionistas que não ocupam qualquer cargo na empresa.

Como aspectos positivos, temos o continuado crescimento das quotas de mercado em Portugal e Espanha, a gestão globalmente boa que continuo a achar que a empresa tem, e os progressos que podem resultar da entrada em funcionamento do novo armazem em Portugal e da nova fábrica em Espanha.

A par destes aspectos, em termos de Análise Fundamental pura, os capitais próprios da CIN tem subido de forma consistente, a dívida tem diminuido, o PER é muito razoável, o dividend yield não é muito mau (cerca de 3 a 3,5% ao ano), e os resultados líquidos tem tambem demonstrado um crescimento consistente através dos anos: 18% de crescimento médio anual, desde que esta empresa está cotada (1994).

Como "recomendação" de investimento, colocaria a CIN em "acumular", mas apenas para quem estude os seus fundamentais de forma independente e chegue a conclusões semelhantes às minhas...

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